28 setembro 2017

Aprendendo a Ser Mãe de Gato


Alguns meses são mais intensos que outros e - Deus! - setembro parece que decidiu dançar na velocidade máxima em cima de muitos outros. Mas se tem algo nesses últimos 20 dias que veio na vida para ficar e jamais sair, é um serzinho (quase) peludo chamado Spooky.

A história de como ele apareceu na casa da minha mãe, debilitadíssimo, já contei no instagram. Confesso que naquele primeiro dia meu medo principal era que o bichinho fizesse sua passagem sem ter a chance de conhecer o lado bom da vida. Lembro dos meus dedos entrelaçados aos dos Roberto enquanto a veterinária falava sobre a possibilidade da fratura na mandíbula ser um chute dado por um ser humano, de como a infecção (gigantesca, que formava uma bola semelhante á um tumor do lado direito do pescoço) poderia ter se espalhado para o osso... Sentia meu coração bater na minha palma, e o dele na minha. Mas o nosso novo filho - pois não havia já dúvidas desde aquele instante de que a missão era nossa e não havia vento forte o suficiente para tirar aquele gatinho do nosso cuidado - pedia força, e nós tivemos. 

Os primeiros três dias foram os mais difíceis, com a primeira cirurgia para remover o pus acumulado, a colocação de um tubo ligado ao esófago e muitos exames de sangue. Mas o universo nos deu um guerreiro e lá estava o Spookão reagindo aos antibióticos: meio grogue, ainda mais tomando derivado de ópio! A piada interna virou ele ser muito old school nas drogas, mas isso confere um charme extra ao seu estilo gato-preto-que-ouve-The-Cure-mas-tudo-bem-a-mamãe-ouvir-pop-de-drag-queens.

Passa o tempo, e ele só fica mais forte: a anemia vai se curando e ele vai se preparando para a cirurgia de correção da mandíbula. Come a ração seca para filhotes e ama o Whiskas Sachê, que aqui em casa apelidamos de "blabla". Se meu coração bateu pequeno nas primeiras 24 horas, agora ele bate gigante cada vez que esse senhorzinho ronrona alto me pedindo um colinho e chamego como só ele sabe; como é que tanto amor se desenvolve tão rápido? Como a vida poderia ser diferente? Só quem já amou um animal sabe - esse ser que precisa de ti, que te ama incondionalmente e vai te seguir onde for... literalmente.



Mas ele de fato te segue onde for. Tendo sempre tido cachorros ou calopsitas, ninguém me preparou para ir ter minha ida ao banheiro observada por um par de olhos verdes. Não sei dizer se ele está me julgando... Só que me sinto julgada, então começa um dilema. Veja só, a dicotomia da vida: ele faz cara de dó se não está junto durante o número 1, mas cara de julgamento se está ali comigo enquanto a minha bexiga pede para se preparar para a próxima dose de chá de jasmim. E ai, Spooky? Não dá para facilitar a vida da mamãe? 

E temos o dilema da conchinha: eu e o Robertinho sempre dormíamos juntinhos, mas agora há um terceiro elemento na nossa relação. Um dia ei de ser mãe e acho co-sleeping uma ótima idéia, mas não esperava começar a treinar desde já: as vezes tem um rabinho enrolado ali na minha mão de noite, outras é no meu nariz e espirro. E quando eu fiz carinho no cobertor achando que era ele? Agora o jeito é eu fazer conchinha no Spookinho e o Rob em mim. Não conta para ninguém, mas acho que é minha nova maneira predileta de dormir. 




Tem outras gatices que vão surgindo aos poucos, enquanto ele recupera a força e o vigor. Gosto de vê-lo tentando arranhar as coisas, mas temo pelos sofás e por isso me diverti durante horas escolhendo um tapete arranhador. Sonho com o dia que vou comprar um castelinho de esconderijos para ele. Mal posso esperar pelo momento em que ele dê um pouco de bola para alguma das bolinhas de papel que jogamos pela casa!

Mais do que tudo, fico rezando para que chegue logo o dia em que ele não precise mais ficar trocando o curativo. Enquanto isso não chega e esperamos a cirurgia final, sinto um ronronar no meu colo enquanto passo bandagens, antisséptico e dou carinho no cangote. Ah, Spooky Ooky: agora, meu coração bate junto também do seu coração. 


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3 comentários

  1. Que amor! Sempre tive gatos �� e se vale a dica, as coisas favoritas deles são caixas de papelão, hahaha. O Loki não pode ver uma que independente do tamanho, já vai entrando, mas isso varia também entre os gatinhos.

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  2. Há 2 meses resgatei uma gatinha foi a melhor coisa que fiz,no começo foi difícil pois era muito arisca mas agora virou minha grudizinha.

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