16 maio 2015

#MariFala: Identidade de Gênero e Casas de Hogwarts

Havia comentado sobre fazer vídeos falando sobre assuntos que são meio que "de ♥ para ♥", mas nem tanto pessoais quanto simplesmente assuntos pelos quais sou passional; vocês me deram um mega incentivo para abranger mais assuntos no canal, então aqui está o primeiro!

Acabei dando duas hashtags para esse tipo de vídeo -#MariFala e #TaTudoBem . A primeira foi o que originalmente pensei em chamar esse segmento... e a segunda é porque falei "tá tudo bem" um número recorde de vezes durante a gravação hahahaha E achei que cabia bem a expressão: no geral, são assuntos que espero que ajudem a deixar "tudo bem" na cabeça e no coração de vocês.





A maioria das pessoas acredita em um sistema binário de gênero: ou você é homem, ou você é mulher. No entanto, como é que a gente quer pintar qualquer coisa sobre a mente humana em preto e branco assim? Não dá. Mais do que isso, tem muita gente que acha que o seu gênero biológico - ou seja, o que seus genitais de dizem - é mais forte do que o que sua mente te diz. Está cheio de casos de genialidade humana para mostrar para qualquer um que a mente, os sentimentos e a inspiração são muito maiores do que qualquer parte física nossa. O nosso corpo é uma casca para um universo muito, muito mais vasto, que fica alojado dentro de nós. E dentro desse universo há sim questões sobre gênero e sexualidade que, assim como não poderia deixar de ser, são muito mais diversas do que 0 e 1. Até mesmo porque entre 0 e 1 existem uma infinidade de números - e isso é uma referência tanto à suas aulas de matemática quanto á A Culpa é Das Estrelas. 


Quando a gente nasce, o médico dá uma olhada entre nossas pernas e declara que somos fêmea ou macho. Podem até usar os termos mais "humanizados", mas francamente é isso que feminino e masculino determinam: que você biologicamente veio como essa parte da dupla de imãs necessários para reprodução. Mas, meus caros, seres humanos não são só reprodução - e nem sexo é só reprodução. Então como é que uma parte tão definitiva e grandiosa da nossa pessoa pode ser resumida à algo baseado nesse sistema?

Se você quiser a explicação médica, dá para falar: todos os bebês no começo eram meninas nos genitais e o cérebro se desenvolveu depois. E as vezes pode ser que o cérebro decidiu tomar um rumo que não chegou pros genitais. Se você quiser explicar que a pessoa veio várias encarnações homem e que o espírito não conseguiu se acostumar no corpo de mulher, vale também. Vale qualquer uma que você queira acreditar, contanto que você entenda o seguinte: não é porque alguém é determinado como macho ou fêmea no nascimento que essa pessoa é homem ou mulher. Existem pessoas cuja mente - essa coisa MARAVILHOSA, que deveria ser muito mais importante que o corpo - não se encaixa com o que o corpo dela é: ela se sente o outro lado da moeda. Veja bem: ela não quer SER o outro lado da moeda - porque ela já É. A mente acima do corpo. E se a mente diz que ela é, ela é. Para essas pessoas cujo corpo não combina com a mente, a gente usa o termo transgênero: ou seja, eles não estão nos gêneros que o médico berrou para a enfermeira na sala de parto.

Ser mulher ou ser homem vai além dos seus genitais. Existe uma construção social do que caracteriza o feminino e o masculino, mas também há uma identificação pessoal, das coisas que nós desde cedo aproximamos desse conceito, que vai - de novo - bem além da idéia de reprodução. E tem gente que nasce, cresce e continua se identificando com aquilo que o médico pregou que deveriam quando falou de qual lado da moeda da reprodução essa pessoa estava - essas pessoas a gente chama de cisgênera. Mas tem gente que mal cresce e já sente que não tem nada a ver com aquilo que o médico disse depois da batida no bumbum - muitas vezes mesmo antes da construção social entrar com força de vez, aquela pessoinha diz "eu não sou isso, eu sou outra coisa".

Ser transgênero não é pecado, não é doença, não é doideira. É uma identificação de gênero: tem gente que se identifica como homem e já nasceu com os genitais masculinos. tem gente que se identifica como homem e nasceu com os genitais femininos. tem gente se identifica como mulher e nasceu com os genitais de mulher. E tem gente que se identifica como mulher e nasceu com os genitais masculinos.

Agora, vocês conseguem medir a dor que é quando o seu corpo não reflete o que se sente no seu coração? Quando essa coisa enorme e maravilhosa que é a mente é tão forte, e te aponta tanto para algo, mas o físico e as pessoas ao seu redor querem te forçar a ser outra coisa? Eu não consigo. Não consigo, me vem um turbilhão de dor inimaginável e eu paro por ai. Porque não podemos julgar a dor do outro: e nem o que ele é por ele. Então, se uma pessoa se apresenta como homem ou mulher, é seu papel e seu DEVER RESPEITAR o que essa pessoa sente, pensa e é. Porque a partir do momento que ela se apresentou para ela mesmo como ela se sente, é como ela se sente que ela é - e que se deve trata-la. Isso é o único preto no branco dessa questão.

Para complicar, tem gente que nunca vai ter certeza de que gênero é. E nem é porque nasceram hermafrodita e o médico ficou confuso no que dizer: é porque elas não estão nem no 0 e no 1. Elas estão em algum daqueles números infinitos que existem. Essas pessoas a gente pode chamar de agêneros: elas não tem gênero definido. Algumas vão adotar pronomes femininos, outras vão adotar pronomes masculinos, algumas vão aceitar os dois. A única pessoa com poder de determinação sobre que gênero você é ou deixa de ser é você mesmo: e você pode dizer com orgulho e tranquilidade que não é nenhum dos dois. Pode ser uma mistura, pode ser o que for… ser agênero não é não se ter definido. É não se deixar definir. 

O único ser que tem poder de definir você é você mesmo - o ÚNICO. Nem que tem deu a luz tem mais poder sobre você do que você. Faça valer essa pessoa, independente do gênero e em toda sua complexidade. Se conheça, se aceite, se mude e saiba que não existirá nunca ninguém que te conheça mais do que aquele que passa as 24 horas do dia do seu lado: sua mente, seu coração e sua alma.

Espero de coração que vocês fiquem bem e deixo todo meu amor com vocês,

Mari


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6 comentários

  1. Mari, é por posts/ vídeos desse tipo que te admiro demais como pessoa e blogueira. Como pessoa por sempre respeitar o outro (e isso começa com seu "oi, todo mundo", bem diferente do oi meninas ou mesmo oi meninas e meninos) e como blogueira por usar seu espaço e influência para tratar desses assuntos e levar respeito e compreensão para todos através dos vídeos. Você é uma pessoa fantástica.
    www.issoaquiloetal.wordpress.com

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  2. Mari, muito obrigada por ser essa pessoa incrível e falar de temas que muitos canais grandes (seja por preconceito escondido, falta de conhecimento ou medo assumir uma posição) não tocam. Vc é um lindo exemplo de amor e respeito. Confesso que nessas horas me dá vontade de ir até ai te dar abraços e docinhos! hahahahahaha

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  3. Não concordo.
    Isso é desculpa pra ser aceito, se não é aceito é porque é algo anormal, e esse conceito é anormal.
    HOMEM é HOMEM, MULHER é MULHER, se fosse questão de gênero nem nasceríamos com orgãos reprodutores definidos.
    Medo da onde tudo isso está levando, conceitos distorcidos... moral não existe, está tudo indo pro caos esse sistema. Não sou dono da verdade, mas buscar a feliciadade não está nisso, lamento.
    Abçs,
    Dri

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    1. Oi??? E as pessoas que nascem com os dois órgãos? Ou com nenhum? (Caso não saiba ..isso existe também '-') Nossa mente é matemática (Assim como a Mari falou ^^ ) e nosso corpo também ... tem infinitos números entre 0 e 1 até mesmo com o nosso corpo ^^.

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  4. Mari você é tão especial e mágica! Só posso descrever o que senti quando vi o vídeo com uma palavra: a-m-o-r! Muito obrigada por tudo e por ser tão especial! ^^

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  5. Mari, parabéns por esse vídeo. Confesso que tinha preconceito sobre essas coisas que você falou, porém depois de assistir o seu vídeo, mudei a minha concepção sore o assunto. Afinal, quem sou eu pra julgar o próximo?? Se as pessoas estão felizes do jeito que são (ou do jeito que se consideram!!), isso é o mais importante.
    Obrigada por falar sobre isso e me fazer mais humana.
    Laura.

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