05 maio 2015

Carta do Mês: Novo Maio

O problema com escrever sobre sentimentos é que chega uma hora que parece quase que você já ensaiou todas suas falas sobre tudo que se sente. A espera - a agoniante, eletrizante, maravilhosa espera - pelo novo parece jamais findar e há dias em que a melancolia parece existir simplesmente porque não se conseguiu criar um singular que não existia antes. Como se faltasse encontrar uma peça do seu quebra-cabeça: não a metade faltante, mas o estímulo que resulta de simplesmente haver algo novo.

Fico esperando pelo novo, sem saber por onde suas portas se abrirão ou por qual caminho deveria trilhar para cruzar com ele. Com as novas pessoas, com as novas sensações, com novas sensações sobre antigas pessoas e novas pessoas com antigas sensações. Quando a doença da mente, seja qual for sua forma, já te deixou em ruínas e você já começou a se reconstruir, acho que é normal que apareça o momento em que queira dividir a construção com quem não viu ela se erguer. Mas sensações, por mais sensível que se seja, não são tão fáceis de vir com a mesma potencialidade que guardamos para nossas construções. Levam tempo, levam sorte, levam lugar e hora.

Mal vejo a hora de ouvir uma voz que me deixe com as bochechas queimando. Mal vejo a hora de sentir meu coração palpitar de nervosismo. Mal vejo a hora de encontrar a palma de uma mão contra minha palma e aprender os caminhos das linhas que se formam. Mal vejo a hora de me sentir estranha, me sentir fora de lugar, me sentir totalmente esquisita e totalmente irresistível. Mal vejo a hora de correr todo o risco de machucar de novo, mal vejo a hora de correr através do elemento que for. Mal vejo a hora de bater a cara na parede, mal vejo a hora de rir até sentir dor nas mesmas bochechas que queimaram. Mal vejo a hora de encontrar pessoas, lugares, quadros, músicas e sensações que me dêem todo o potencial de me construir e de me destruir - mas que, dessa vez, sei que posso me erguer de cada perda.

Esse mês que marca quase o meio do ano me marcou já no seu início com a vontade de me abrir dentro de mim mesma e de dar a chance de tempestades novas chegarem até minha vida. Se você se encontrou em qualquer momento duvidando que poderia chegar até esse lugar - onde sabe que pode e quer enfrentar o que der e vier porque sabe que vale a pena - quero te dizer: chegamos aqui, chegaremos lá e vamos continuar chegando até mil estranhos lugares e sentimentos. Acredito que ainda há muito mais para encontrar - inclusive do outro lado da minha tela, em vocês.

Com todo meu amor,
Mari


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4 comentários

  1. Sabe quando era tudo que você precisava ler? Passei por momentos difíceis na mesma época que você Mari, mas minha história tinha desdobramentos diferentes e demorei tempos até entender que existem formas de gostar diferentes. Hoje me vejo exatamente assim, ansiando o novo, mas ainda com medo das dores que podem vir. Só quem já se entregou de alma, corpo e coração entende. Parabéns por tanta sensibilidade e maturidade e obrigada por me mostrar outra perspectiva, a de que o novo sempre chega e que depois da escuridão, a claridade sempre vem.

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  2. Que lindo texto, Mari, suas palavras tocam muitos coraçõeszinhos <3
    Quando puder, dê uma passada no nosso grupo #team viiixxxen, adoramos sua presença!

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  3. Hey Mari, belíssimo texto. Parabéns por ser uma estrangeira de si =)

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  4. Talvez eu tenha chorado alguns litros, Meu Deus que perfeito, você arrasa tipo demais, escreve um livro, please. <3 :3 Linda, uma princesa.

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