09 março 2015

Carta do Mês: Março do Reconhecimento

Pensando pelas teorias brasileiras, o ano só começa de verdade depois do Carnaval. Como já disse na minha carta para vocês em Janeiro, o meu ano de fato começou se renovando no dia 31 de Dezembro para o dia 1º de Janeiro: mas, mesmo sentindo esse sentimento de finalização merecida, tem sido apenas recentemente que começo a ver os verdadeiros frutos de ter plantado em mim mesma a vontade de recomeçar.



Obviamente há um período de "incubação" após grandes tormentas que precede o renascimento da luz. Esse renascer se dá muito mais como o quebrar da casca de um ovo, em oposição á uma retirada obstétrica bruta para o novo mundo. O que quero dizer com isso é que ficamos muitas vezes esperando um momento de profunda epifania para marcar o nascimento ou renascimento, um choro gritante, mas esquecemos que não apenas esse momento único pode não chegar como podemos ignorar toda a jornada que pode antecede-lo. Essa caminhada é muito mais longa e valiosa do que cremos se valorizarmos apenas o estouro da champanhe.

 Nesse último mês, notei em mim mesma pequenas ações que, quando parei para pensar, significaram muito; mesmo que na hora eu não tenha notado. Pela primeira vez em oito anos (sim, oito anos!) tirei fotos de mim mesma apenas por querer me retratar, e não porque precisava de uma foto para um vídeo ou porque queria guardar um momento entre amigos. Me fotografei apenas pelo prazer de me fotografar, por ter na minha mente uma questão estética e querer mostra-la de alguma maneira. Percebi que voltei a gostar de visitar o fogão e o forno, de fazer pequenos agrados em forma de comida para as pessoas que amo. Notei que sentia falta de me arrumar para sair comigo mesma, de ir ao cinema sozinha, de me sentir confortável estando só.

Tenho plena consciência que ainda há um caminho longo que devo percorrer até me reencontrar depois da tormenta, mas conseguir apontar essas vitórias que poderiam passar despercebidas passou a alimentar a minha consciência de que estou aos poucos reencontrando uma Mariana que não via há muito, muito tempo. Sem deixar de lado o que outras tantas Marianas antes de mim viveram e aprenderam, mas resgatando também um amor próprio e um prazer em minha própria companhia que estava se perdendo durante um bocado de anos.

Dentro desse prazer em conviver comigo mesma, mesmo que ainda pontuado por momentos de baixa, percebo até mesmo a volta da vontade de conviver mais com as pessoas em que de fato encontro paz de espírito e um amor fraternal. Reconhecendo pedaços perdidos de mim mesma, em mim e nos meus amigos e família, começo a quebrar uma casca que nem tinha consciência de que estava me envolvendo: não de uma vez, não com um grande "BANG", mas sim com pequenas ações e momentos durante os dias mais comuns (e também os incomuns).

Por isso, gostaria de pedir para que nesse mês vocês se pusessem a meditar um pouco sobre quais pontos de equilíbrio inteiro vocês perderam, reconquistaram, encontraram e gostariam de reencontrar. Não buscando um novo você, mas sim pedaços de um antigo você que por ventura está faltando para deixar o você atual o mais fiel à sua essência possível. Devemos sempre levar conosco as lições e aprendizados do passado, mas não deixando eles se tornar uma cortina para a luz em formato de raiva, mágoa e desamor próprio.

Pensem no que amam, no que amaram e no que querem amar em si mesmos esse mês. Sei que é uma jornada difícil, mas estarei aqui do seu lado em cada passo dela.

Com todo meu amor,
Mari

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4 comentários

  1. Mari que texto lindo. Março é o mês do meu aniversário, uma data que considero mais que importante, sou uma pisciana nata, e com a característica mais importante delas. Perdida. No meu coração sempre estou em dúvida de que caminho trilhar, e por mutias vezes o que acabo fazendo e não ir por nem um deles com medo de falhar. Desde que comecei a lhe acompanhar, ver suas batalhas vencidas, tenho tido muita força para ir em frente, ainda que seja mutias vezes dolorido. Sempre esperei grandes epifânias, mas a grande vitória vem de dentro e mutias vezes sem nem um acontecimento fantástico. Beijos minha linda.
    http://sabrinaikeda.blogspot.com.br/

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  2. Olá Mari!
    Que beleza ir se redescobrindo e retornando a se amar!
    Muitas vezes eu sinto muita falta da convivência comigo mesma, muitas vezes até gostaria de estar sozinha realmente para aprender a valorizar meus momentos comigo mesma, mas ainda tenho uma espécie de medo de ser só, de não me ser suficiente. Me sinto triste por isso.
    Mas é uma alegria imensa ver você compartilhando seus momentos únicos conosco.
    Desejo tudo de melhor e boas energias em sua nova fase.
    Um beijo e um abraço com carinho, Bianca.

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  3. Pretendo fazer desse um ano de quebra de casca, de libertação. Passei anos demais incubada, presa num mundo só meu, tentando ignorar os problemas de fora, sem interagir muito com pessoas e infeliz. Porém, tal qual com você, Mari, meus últimos meses foram um tanto quanto turbulentos. Uns mais longínquos foram bons, me fizeram. Outros, mais próximos, foram recheados de decepções e algumas mudanças. Finalmente comecei a quebrar a minha casca. em todos os sentidos possíveis. Comecei a me descobrir, a olhar mais pro mundo e pras outras pessoas, a perceber todo o meu potencial... Por isso mesmo, quero e vou fazer de 2015 um dos anos mais importantes da minha vida. Vou consertar o que deve ser consertado, iniciar novos projetos, e, mais importante, tornar-me um novo e melhorado eu.

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  4. Lindo acompanhar sua redescoberta de auto amor e também todo o crescimento. Você é uma mulher incrível e muito forte que, com certeza, ajuda muitxs outrxs na sua caminhada.
    www.issoaquiloetal.wordpress.com

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