27 março 2015

Aquela Vez Em Que... Meu Cabelo Se Revoltou Em Plena Formatura

O ano era 2007. A Mariana aqui havia dado nós em pingos d'água, subido em cima de carteiras para gritar com uma sala de 45 alunos, andando meio Bom Retiro em busca do vestido que queria usar e gasto pelo menos uns três meses envolvida com ser representante de classe e de formatura do seu ano. Nem vamos comentar como eu desde sempre curto abraçar o mundo com as pernas, mas sim focar no fato de que havia dentro de mim uma pilha ligada declarando que tudo teria que sair perfeito no dia da colação.

E então, naquele 21 de Dezembro, começou uma chuva danada em toda a cidade. Cheguei atrasada ao cabeleireiro, numa época em que não sabia fazer cachos em mim mesma, e fiquei pura ansiedade e animação enquanto ele construía cachos perfeitos no meu cabelo (que era um bocado mais comprido na época). Sai do salão com os rolinhos presos para durarem mais e uma animação de que, apesar da tempestade, tudo daria certo e que meus fios seriam meu arco íris triunfal.

Se você leu o título do texto, já sabe que não é por ai que a banda tocou.

A situação não era definida nos meus fios...

Cheguei correndo em casa depois de ter ficado duas horas presa no carro por causa da combinação de chuva e a cidade de São Paulo. Tirei os grampos correndo, ajeitei a franjinha, fiz uma maquiagem levinha (ah, como gostaria de voltar no tempo e me fazer algo diferente...!) e calcei um salto alto que me faria ficar com a altura mais próxima tanto do meu companheiro de representação e do meu então namorado - que, apenas para vocês imaginarem a situação engraçada do meu "tipo", se agigantava com mais de 1,90m enquanto eu estava lá com meu 1,53m da época. Entrei no carro. Tudo certo. Tudo daria certo.

E não deu. A chuva destruiu os cachos, fazendo meu cabelo armar e se tornar algo mais parecido com a Hermione cozinhando uma poção nas masmorras do que enfeites de boneca. Minha franja enrolou por causa da umidade. Meu esmalte, escolhido a mão para ter o tom de violeta que combinava com minha turma, lascou. Esqueci de por o meu batom na bolsinha para retocar. Ou seja: o que podia dar errado na minha aparência, salvo o vestido e o salto não quebrar, deu.

Minha auto confiança balançou profundamente quando percebi toda essa série de desaventuras e meu instinto foi me esconder atrás do palquinho e bater a cabeça na parede... Até que entrei pelas escadas e vi meus outros 498 colegas (pois é: esse era o tamanho do 3º ano do meu colégio) e senti o arrepio delicioso do que aquela situação significava. Estava me despedindo de dezenas de pessoas que conhecia há 6 anos, que estiveram comigo em situações boas, ruins. Me causaram dor, me causaram paixões, me causaram sorrisos e me deram centenas de lições.

Entregando o presente para o professor homenageado da minha turma, juntamente do meu colega de classe: nosso querido professor de física ♥

Precisei de um segundo extra para não tropeçar naquela descida e me juntar às minhas amigas. Hoje, vendo meu álbum de fotos, posso até me revoltar com tudo que deu errado na minha aparência: mas a maior lembrança é da sensação de ter recebido uma medalha pela minha nota do Enem, a nostalgia da foto em que estou abraçada com a menina que me abraçou no meu primeiro dia de aula como aluna transferida na 5ª série, a alegria de entregar um presente para o meu professor de física que me ajudou em todas as dificuldades que encontrei com a matéria, o carinho do meu professor de matemática me dando o prêmio por notas (sempre sofri com a matéria e era a que mais tinha que estudar!). Olho para a foto área da nossa turma e ali está o minuto de silêncio pelo nosso colega que se foi, naquele meio está minha primeira paixão, meu suor por ter contribuído para minha sala e meus colegas formandos. Havia tanto mais naquele momento do que meu cabelo. Havia vida.

Nessa história, minha lição não fica apenas sobre usar spray anti umidade nos fios. Está em lembrar que um sorriso verdadeiros e uma emoção sincera valem muito mais do que uma perfeição estética ou pensar em tudo que deu errado. Entendo como nós perfeccionistas, especialmente no que diz respeito à nós mesmos, podemos nos tornar ranzinzas e amargos ao perceber que algo fugiu do nosso plano. Mas ficou guardada em mim a lição de que as vezes o plano vai muito além do que imaginávamos e precisamos tentar não nos fechar por estarmos sendo críticos demais com o externo, para que as emoções e sentimentos possam de fato criar suas melhores memórias.

Recebendo medalha honrosa pelas notas: o fato de ter sido meu professor de matemática (a matéria que sempre foi meu calcanhar de aquiles) que me entregou deu um gosto especial para a conquista: estudei muito para manter minha média com os benditos logaritmos!


Amo cada foto daquela noite - até mesmo as que me daria um T de trasgo em poções. Foi uma vitória, uma conquista, um trabalho bem feito, uma chave para uma época cheia de aventuras e uma porta para outra que traria tantas outras e tantos crescimentos. Por isso, não perca tempo pensando na meia que desfiou, no cabelo que armou ou na espinha que apareceu: preste atenção na beleza do que há no seu redor, e como ela reflete a sua e o seu trabalho também.

Aproveite todos os dias, até os de cabelo ruim.

Com todo meu amor,
Mari

No final, tudo acabando bem: mesmo com a franjinha revoltada.

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11 comentários

  1. "Havia tanto mais naquele momento do que meu cabelo" Sempre que o cabelo da Hermi é citado, eu penso nela dizendo essa sua frase, Mari.

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  2. Tao liiinda vc mostando esse lado não sabíamos! Foi ótimo vc compartilhar isso, me emocionei como sempre;)
    Beijos

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  3. Muito bom o seu texto Mari, eu concordo plenamente com você. As vezes, o perfeccionismo deve ser deixado de lado, por que num momento especial mais vale seu sorriso de conformação por nem tudo ter sido do jeito que queria, do que parecer triste e focar só em como poderia ter sido. De coração, eu achei que você estava linda nessas fotos de formatura, até mesmo o seu cabelo hehe. Beijos!

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  4. Mari, eu aliso o cabelo e não tenho problemas com isso, não me sinto inferiorizada nem algo parecido... eu simplesmente gosto do meu cabelo liso... Enfim.

    Esse tipo de coisa acontece comigo mais do que com pessoas que possuem o cabelo natural. Fazem 5 anos que eu aliso e eu aprendi a aceitar que um dia de cabelo ruim não faz o meu dia ruim.

    Eu sou mais do que meu cabelo, sou mais do que meu peso... sou muito mais!

    E eu aprendi com você que "quem importa, não se importa" e eu trago isso na minha vida.

    Obrigada Mari.

    Muito obrigada!

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  5. Claro que a gente se sente mais confiante quando dá tudo certo, mas com certeza a importância dos momentos independe desses detalhes, principalmente quando estamos cercados de pessoas queridas.
    www.issoaquiloetal.wordpress.com

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  6. Ah, Mari. Você precisa ver minha cara nas fotos da minha catequese(eu estava irritada por ter feito catequese e ainda ter ido pra o "batismo" 6 da manhã), eu parecia um monstrinho, kkkk.

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  7. Estudei na mesma escola que você! Lembro desse dia, lembro de todas as emoções que passei lá!! odiava fisica mas adorava o professor!! Lembro tambem da sua mãe que me deu aula de Ed. Ambiental!

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  8. Seu post me fez lembrar da minha própria formatura, mas da oitava série, na qual resolvi ir de ultima hora e o quão corrido foi pra conseguir arrumar tudo, mas que no final foi incrivelmente marcante.

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  9. Que texto lindo *-*
    Na minha formatura tudo deu errado, não pude comprar o vestido dos sonhos, meu cabelo desmanchou porque também não sabia fazer cachos sozinha na época (mesmo ficando um dia inteiro com o cabelo enrolado com bobs, na hora de buscar o acompanhante, já estava liso), o acompanhante que eu tive que levar me tratou mal a noite toda... Mas se eu pudesse voltaria mil vezes para aquela noite.
    Tive a oportunidade de dançar com meu pai, e ver ele se emocionar por me ver concluindo uma etapa importante da minha vida. Dancei por alguns minutos com o grande amor da minha vida, apesar de a vida ter nos separado, me orgulho de saber o que é gostar de alguém incondicionalmente,e foi tudo nessa época. Na época odiei tantos detalhes da minha formatura e colação...mas depois de 5 anos, como dou valor naqueles momento, e como queria ter valorizado na época!

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  10. Que maravilhoso post. Amei! ♥♥♥

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