12 março 2015

Adoção Canina: A História do Meu Pepinho

Como uma boa parte sabe, há duas semanas atrás perdi um dos meus melhores amigos: meu cachorrinho, Pepo. Há muito tempo gostaria de dividir a história dele com minha família, e infelizmente é nessa hora que decido fazer essa homenagem para um dos melhores seres que a vida colocou no meu caminho.

Nos adotamos o Pepe quando ele já tinha dois anos. O nome dele quando chegou em casa era Etori - eta nominho chique para o cachorro! Em seu antigo lar, crianças brincavam de irrita-lo e ele era um cãozinho muito arisco por causa disso: não deixava que pegássemos ele no colo, as vezes avançava quando íamos fazer carinho e era sempre um trabalho a parte faze-lo colocar uma roupinha no frio ou por a coleira para passear. Quando um cão ataca, normalmente é por se sentir acuado, e não por ser violento: o Pepe tinha se acostumado que toques humanos eram para puxa-lo, dar tapas, "brincadeiras" ruins assim... E é por isso que não confiava em ninguém. Ele não era um cãozinho violento, e sim com medo - como a maioria dos bichos que passam por situações do gênero são.

Mesmo arriscando umas mordidas aqui e ali, não deixamos de tentar chegar calmamente perto do Pepo: oferecer a mão antes de fazer carinho, mostrar uma bolinha colorida para ele e joga-la para longe, para ele perceber que não era para atingi-lo... Aos poucos fomos ganhando a confiança do cãozinho, e ele foi deixando de ser o Etori e se tornando o Torinho. A mudança de nome parecia simbolizar que ele era um touro prontinho para atacar, mas pequenino e que aos poucos se rendia à ganhar um carinho. Em questão de alguns tantos meses, Torinho se tornou Pepinho: um cão que amava colo, carinhos na barriga, nas orelhas, mas que ainda assim nunca deixou de dar uma rosnadinha se mexíamos nas patinhas de trás. Um cão com o olhar mais doce, com a maior certeza do planeta de que era um bebê humano e que essa história de ser cachorro era mera intriga da oposição.

Pepe pode não ter chegado para nós como filhote, mas virou definitivamente um filhotinho eterno no sentido de fofura: de um cão que não brincava, passou a ser um cão que empurrava a bolinha para nós com o focinho numa demonstração de gracinha tão grande que era de morrer. Fazia cada peripécia quando queria ganhar um doguitos que nem sei dizer para vocês como é que as vezes conseguíamos dizer  "não". Ovelhinha quando peludo, carneirinho quando tosado... E sempre um companheiro: gostava de sentar conosco no sofá para ver tevê, uivava "Parabéns Para Você" em todo aniversário e gritava "gol" sempre que minha minha mãe comemorava a vitória do Corinthians.

Como todo cão que teve anos anteriores, ele veio com um pacotinho de surpresas além do temperamento inicial: uma má formação nos dentes devida à algum problema quando era filhote fez ele a maior parte da dentição, o que lhe conferia as vezes uma linguinha para o lado bem charmosa. Problemas que poderiam ter sido descuidados no passado, mas que cuidamos com o maior carinho a fim de ter ele conosco com a melhor qualidade de vida possível. Foi um preço bem pequeno a se pagar pela companhia maravilhosa desse ser.

Pepe me viu crescer desde meus 12 anos, e ficou comigo até as vésperas agora dos meus 25. Ele viu, amou e brincou com minhas duas avós, conheceu quatro namorados e uma namorada (e roubava o colo de todos, sem exceção, quando eu tentava ficar vendo um filminho de chamego no sofá!). Comeu um batom inteiro quando deixei um cair no chão, tinha seus locais favoritos em absolutamente todos os cômodos da casa, sempre deu trabalho para por roupinhas e era o primeiro a vir me consolar quando eu chorava: ele latia até que eu o pegasse no colo e ele pudesse lamber meu rosto com lágrimas.

 Dorminhoco, guloso, fofucho, manhoso. O Pepe foi um dos maiores presentes que Deus me deu, e cada instante ao seu lado me encheu de uma compreensão maior sobre o significado do amor, companheirismo e carinho. Ele pode não ter chego do tamanho de uma mão, nem tão dócil quanto um recém nascido, mas adotar um cachorro já adulto nos permitiu entrar numa caminhada onde o amor, a paciência e o carinho se mostraram qualidades que aprendemos a ter mais por causa dele, numa lição que jamais será desaprendida. 


A Nala, minha cachorrinha, e o Lego, filho dela com o Pepo, continuam na minha vida e me dando novas lições todos os dias. Mas meu Pepinho, meu eterno bebê que não veio como bebê, passou 13 anos ao meu lado sendo o melhor de todos os amigos e o mais maravilhoso e fiel dos companheiros. Sou tão grata à todo dia que passei podendo dar carinho, falar "oi meu pudim" quando entrava em casa, e rir da sua carinha de sono e trejeitos de cão que sabe que é amado. Através desse relato não quero apenas relatar meu amor por ele, mas incentivar em todos que deem sempre uma chance para um cãozinho "com bagagem" e idade; todos os bichos podem nos ensinar algo, e quando eles vem com uma história anterior à nós esse algo se multiplica ainda mais.

Obrigada por tudo, amigão. Vou te amar para sempre e em cada dia de para sempre.








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9 comentários

  1. Mari minha linda, que texto mais lindo.
    Tenho certeza que o Pepe está alegrando agora o plano espiritual, junto com meu amiguinho querido titã, que também infelizmente perdemos ele para cinomose. Tenho certeza que estão aprontando no ceu juntos.
    Eu tenho um grande amor por animais e adotei uma gatinha que apareceu toda machucada no serviço, e que agora depois do amor, e do carinho de todos, tá uma bolinha de pelo.
    Também adotei uma cachorra serelepe que só,que pode fazer a maior bagunça em casa, mas enche meu coração de alegria me esperando no portão para pular em cima quando chego de um dia de serviço. Animais são nossos mais fiéis amigos. Fazem seu coração se encher de alegria, mesmo naqueles dias em que tudo parece ser tão complicado.
    Um beijo no coração minha linda.
    http://sabrinaikeda.blogspot.com.br/

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  2. Que lindo, Mari!
    É maravilhoso como um serzinho desses consegue nos mudar pras melhores versões de nós mesmos. Com certeza é impossível esquecer essas almas abençoadas.
    Beijones :*
    https://naomedeixenachuva.wordpress.com/

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  3. Oi Mari, meus olhos se encheram de lágrimas com seu relato.
    Me faz lembrar muito meu Duque, cachorrinho que me escolheu para ser sua dona (ele me seguiu até em casa) e que também tem mais ou menos 2 anos. Ainda não completou um ano conosco, mas já enche nossa vida de alegria e de amor.
    Infelizmente não sei se poderemos ficar com ele como gostaríamos, porque moramos em apartamento e ele fica muito recluso em casa. Mas confesso que imaginar minha vida sem ele é muito difícil já.
    Ter a companhia dele nos faz muito feliz e o amor só aumenta a cada dia.
    Um beijo carinhoso, Bianca

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  4. Eu sei como é Mari. Perdi minha amigona ano passado, para um tumor. Ela veio para casa com 5 anos, pega de um vizinho que iria se mudar e não poderia ficar com ela. Aos poucos, ela foi se acostumando, percebendo aquele amor que a gente passava para ela. Virou minha melhor amiga, minha companheira para as horas tristes e felizes. Mas com a idade avançada dela veio os problemas de saúde. Ela se foi com quase 19 anos, mas fiquei com ela até seu último suspiro. Ela foi batalhadora, tentava mostrar animação mesmo quando se sentia muito cansada. Eu a amava e ainda amo. Me lembro de quando olhava em sua carinha e ela parecia dizer que iria ficar tudo bem. Assim como minha Rebeca, o Pepo virou uma estrelinha no céu. Me dói ainda essa perda, porque esse amor que sentimos por nosso animalzinho é grande e puro. Acredite Mari, ele está olhando por você, assim como acredito que a minha também está olhando por mim... são anjinhos que moram em nosso coração. Beijos no coração Mari!

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  5. Mari que linda história! Só quem tem um amiguinho de 4 patas sabe da importância deles na nossa vida. Realmente fazem parte da nossa família! Sempre tive gatos e amei cada um deles da forma que são, cada um com a sua história e com a sua personalidade. Só que tem, sabe do amor e da importância gigante deles em nossa vida. O Pepo foi feliz até o fim e deixou a marca dele no coração de vocês.
    ...
    Estou assistindo Glee, e a Rachel me lembra tanto você! Não sei porque.. Mas lembra! Alguém já te disse isso antes? E você curte animes tipo Yuri? Assisti Strawberry Panic e gostei e agora estou assistindo Maria Sama Gami Teru e estou amando. Apaixonada pela Sachiko!! Você tem algum anime yuri para recomendar? E você acompanha algum canal de namoradas pelo youtube? Como a Jade e a Paola, Maria B e Malu S? Estou feliz com seus posts no blog e seus vídeos de novo. Tudo passa mesmo... ;) beijo no coração!

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  6. chorei. lembrei do meu Fofo que ficou 12 anos comigo e era muito parecido com o Pepinho. sinta-se abraçada Mari. sinto muito pela sua perda.
    Suh

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  7. Que lindo, Mari..... Me fez lembrar do meu Soneca, que perdi há 3 anos e me faz falta todos os dias. Assim como o Pepo, também adotei o Soneca já adulto (devia ter uns 2 anos). Ele era de rua, mas era o cachorro mais dócil. educado e carinhoso que alguém poderia ter. Minha família teve muita sorte de tê-lo presente por 12 anos. Pena que nossos bichinhos não são eternos.
    Beijinhos no coração!! <3

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  8. Que lindo, Mari..... Me fez lembrar do meu Soneca, que perdi há 3 anos e me faz falta todos os dias. Assim como o Pepo, também adotei o Soneca já adulto (devia ter uns 2 anos). Ele era de rua, mas era o cachorro mais dócil. educado e carinhoso que alguém poderia ter. Minha família teve muita sorte de tê-lo presente por 12 anos. Pena que nossos bichinhos não são eternos.
    Beijinhos no coração!! <3

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  9. Mari, sinto pela sua perda... Muitas vezes um animal de estimação nos dá mais amor do que pessoas próximas. Eu também já adotei muitos cães adultos e alguns eram muito mais carinhosos que filhotes que só querem morder meus sapatos kkk Muito bonita sua atitude e tomara que cada vez mais as pessoas adotem sem preconceito.
    Ele e todo os outros que passarem pela sua vida serão eternos no seu coração!

    http://maricando.com/ ^,^

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