16 janeiro 2015

Tratando de Doenças da Alma | Reflexões sobre a Depressão

Fui muito pública em assumir a batalha com depressão há alguns meses; coincidentemente com algumas palavras sobre quando Robin Williams cometeu suicido, e depois novamente há um mês, quando a doença me afastou do trabalho, da alegria e da vontade de continuar. Graças a Deus, ao apoio da minha família, amigos, seguidores, de um bom terapeuta, de acompanhamento psiquiátrico e de força de vontade (que sozinha não adiantaria - é uma condição da qual não se sai só querendo, da mesma forma que não se vence resfriado só baseado em não querer estar resfriado) buscada nas pessoas que amo, estou hoje muito melhor do que estava há 30 dias atrás.

Como deu para notar, os fatores que aumentaram minha vontade de viver foram diretamente voltados com o amor, apoio e ajuda. Sem a rede de segurança que tenho, tanto fisicamente quanto psicologicamente, no sentido fraternal (amigos, família) e profissional (psicologo, psiquiatra), não creio que estaria escalando a parede desse poço da maneira que estou. Na minha situação também se soma ai um fator espiritual, mas ele é mais pessoal para cada um e mesmo se você não acreditar numa força maior (acredito e chamo de Deus, mas que seja o nome que você quiser dar aqui no caso), os outros dois pontos são importantíssimos para conseguirmos seguir com essa luta.

"Sempre há esperança". E se cercar de pessoas e coisas que te dão esperança é muito importante - não caia na armadilha externa de alimentar a desesperança, que é o sentimento mais triste que um espírito pode sentir.

Apesar de o sistema de saúde brasileiro ser mais furado do que peneira velha, rogo para que cada uma que se encontrar em uma situação com ideações suicidas, desanimo extremo e desespero, vá atrás de ajuda profissional. Terapeutas irão ser uma ferramenta muito necessária para quando não se pode confiar na própria mente, que infelizmente dentro do quadro doente parece nos empurrar para armadilhas em que nossa vida entra em risco. Também não há vergonha em necessitar de medicação, receitada por um médico psiquiatra, para ficar bem: depressão não é uma tristeza passageira, e sim algo que pega os pés, os prende na pedra e nos impede de caminhar, de viver... As vezes uma pessoa depressiva está apenas sobrevivendo, e um empurrão errado a faz cessar até com isso. Procure um psiquiatra assim como procuraria qualquer médico para uma doença que te aflige:  você não tem que lidar com essa dor sem ajuda. É necessário ter essa ajuda.

Compreendo que pode haver muita resolução em não admitir a doença; por algum tempo da vida, pensei que eu não tinha "direito" de ter depressão, que tinha o "dever" de não ser assim. Mas não é uma escolha e não é algo imposto por uma sequência de fatos só emocionais, necessariamente. Há fatores biológicos, químicos e genéticos ligados com o quadro depressivo e é por esse lado que devemos abordar o assunto; não como um problema meramente emocional, mas sim como condição física que, acreditem, ninguém escolhe ter.

Um outro ponto fundamental aqui é se cercar das pessoas que realmente te amam e te fazem bem. Pode ser que esse número se revele muito menor do que aquela lista de amigos que está sempre preparado para uma saída animada ou uma balada, mas também pode ocorrer de haver nomes nessa lista que te surpreenderão. O joio e o trigo se separam por si só nessas horas, por bem e por mal. É importante também ter a noção de que não há, na crise, energia suficiente para doar ás pessoas: a hora da batalha é a hora de aceitar receber o colo (e, Deus, como sei que é difícil ser quem recebe o colo ao invés de quem dá ele!) e de ter um egoismo saudável para se focar na sua cura. Como bem diz meu terapeuta: estarão do seu lado nesse momento as pessoas firmes, e com certeza você já fez muito por elas. Há o tempo de se doar e há o tempo de aceitar o que se ganha - agora, doente, é a hora de aceitar receber o carinho e cuidados. Afinal, somos todos apenas humanos e precisamos do equilíbrio e de saber os instantes de estar em cada ponto para buscar a saúde mental.


Ironicamente, pouco antes da pior crise da minha vida, tatuei a palavra "estel", que em élfíco significa esperança. Ela é um lembrete diário que me dei de que jamais devo perder a fé - inclusive a fé em mim mesma.


Meu coração se aperta ao pensar em todas as pessoas que estão em situações similares com as que estive e que estou aos poucos saindo: de completo desespero, desilusão e pânico com a vida, e que não contam com ao menos uma dessas esferas que tenho ao meu lado. É pensando nelas também que gostaria de escrever um pouco, as vezes, sobre minha batalha com essa doença que assola a alma, a mente e o corpo de uma vez só. Se por um acaso horrível você se encontra numa situação de desespero, quero que se sinta abraçada por essas palavras. Quando acordar de manhã e pensar em por quem e pelo quê você levantará da cama nesse novo dia, quero que saiba que meu nome está na lista de pessoas que se importam contigo e que te querem bem. Posso não conhecer nem 1% de vocês pessoalmente, mas podem ter certeza absoluta de que há uma pessoa e um coração por trás dessa página na internet e que ela se preocupa com seu bem estar e quer continuar por muito, muito tempo, a receber seus comentários e ter a chance de te ensinar algo, aprender algo com você, te fazer companhia através de um vídeo ou post.

Haverão outros textos sobre o tema - que é impossível de abordar em uma tacada só - e, se você se identifica com a situação e quiser que eu discorra sobre algo em particular, pode me avisar. O que quero aqui é te dar a certeza de que não está sozinha, que é preciso buscar ajuda externa e que não há vergonha nisso. Leio cada comentário, e-mail e mensagem que me enviam e adoraria conseguir responder à todas: como não consigo, essa é minha maneira de espalhar um abraço virtual extremamente apertado e repassar um pouco de todo esse amor que sou grata e abençoada de receber.

Não desista de lutar, de levantar da cama, de se por pequenos objetivos e de saber que você é e será mais amado do que imagina.

Com todo meu amor,
Mari

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11 comentários

  1. Que lindo Mari, que lindo!
    Te acompanho desde o princípio e pouco comento. Mas hoje, diante do assunto deixei a timidez de lado.
    Poucos são como vc, tens um espírito lindo e sinto sua áurea de longe! Obrigada por tudo que faz, vc não tem ideia do quanto me sinto abraçada.
    estou passando por esse processo depressivo, e digo, não é fácil. Principalmente se as pessoas ao seu redor acham que isso é fraqueza e desprezam completamente a doença. Muita gente não assume e não acredita na doença, acha que estamos com "frescurinha".
    É muito bom saber que não estamos sós!
    Obrigada querida, que Deus te acompanhe e ilumine muito sua vida! Não sabe.como torço e peço por vc!
    Bjos carinhosos!
    Aline Melo.

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  2. Mari, tou te acompanhando(e torcendo daqui assim como você torce daí ♥). dependo do SUS não só com psiquiatria, mas também com outras tretas em se tratando de saúde. os hospitais e OS MÉDICOS(!!!!!) precisam ser mais humanistas. tudo no mundo precisa ser mais humanista. ai desabafei hahaha ah, quero dizer que melhorei e que fiquei contente por boas notícias suas. abraço

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  3. Ler esse texto na tpm foi uma cilada e tanto, tem dois olhos nas minhas lágrimas. ;-; AUHAUHUAH Se até mesmo tendo convênio médico a situação foi e continua sendo tensa pro meu tratamento, nem gosto de imaginar como é pra quem não tem... Me revolta muito ver como as pessoas não enxergam as doenças psiquicas como doenças realmente, como qualquer outra. Espero de coração que não seja necessário mais mortes de pessoas públicas pro mundo acordar e ver que tantas outras anônimas morrem todo dia pelo mesmo motivo. ._. MAS, focando nas coisas boas, é muito prazeroso ver sua recuperação. Devolvo suas palavras: se precisar de motivos pra sair da cama, coloque meu nome (e de tantas outras seguidoras) no topo da lista. Muitas de nós ainda precisamos de uma chance pra te abraçar apertado, hein. u.u Se cuida, Mari linda, e pode nos chamar SEMPRE que precisar. Arrisco dizer que até pegaria um ônibus daqui de Santos pra te dar colo for real se fosse necessário. hahaha <3

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  4. *Emocionada*

    Te amo muito!

    Ass. Juumuffin

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  5. Fico tão feliz por ver que você não está passando por isso sozinha. Te acompanho desde sempre e senti um baque enorme quando soube o que você estava passando. Tenho 17 anos e estou enfrentando agora minha 7a recaída de depressão, e isso me deixa extremamente exausta - o que piora ainda mais pelo fato de eu não conseguir contar para ninguém, não consigo pedir ajuda. Mas apesar de tudo isso, tenho muita esperança de que um dia sairei dessa.
    Quero que saiba que seu nome esteve em cada uma das minhas orações e pedidos, e que aguardei ansiosamente sua volta. Obrigada por tudo, Mari. Beijos e um super-hiper-mega-power abraço!

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  6. Mari, também me encontro infelizmente no mesmo barco que vc.... E acredite ler seus textos e saber que não estou sozinha nessa é muito importante! Obrigada por me abraçar nesse momento gostaria de poder te retribuir em dobro! <3

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  7. Poxa vida, queria te dar um abraço!
    Tenho uma amiga que também está sofrendo com depressão e muitas vezes não sei como ajudar.
    Fico aqui na torcida, minha querida.
    Luz!

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  8. Mari,eu te acompanho a muitos anos e te adoro ♥
    Tbm estou passando por um momento de depressao,uma tristeza imensa e me identifiquei com muitas coisas que vc falou,principalmente sobre nao admitir que esta doente e sentir que tem o dever de estar bem,estou lutando para sair dessa e ainda nao procurei ajuda profissional,mas estou decidida a fazer isso.
    enfim,ler seus relatos tem me feito muito bem,me motivado e me mostrado que nao estamos so,q existem outras pessoas q sentem e entendem oq eu sinto.
    Desejo muito que vc melhore logo,e poder ouvir mais vezes seu>oi todo mundo! ♥
    bjos

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  9. Mari, te acompanho há muito tempo porém tenho poucos comentários. Quando me vi com depressão tbm pensava como você, "não tinha o direito de ter isso". Quando estava na pior fase onde não conseguia nem ao menos levantar da cama, seus vídeos foram meus calmantes e companheiros. Assistia 3, 4 vzs o mesmo.vídeo por causa da sua energia!
    Hj me trato com remédios e terapia tbm, mas tenho ciência de que é uma coisa que irá me acompanhar para o resto da vida e meu papel é dizer a ela que ela pode continuar dentro de mim, mas eu sou mais forte que ela!
    Um vídeo que me ajudou bastante a explicar pros outros o que eu tava passando foi o video do Black Dog Day, já viu?
    Só queria lhe dizer que, sinta-se abraçada e sinta que mesmo caladinha VC tem uma " telespectadora" cearense que lhe entende perfeitamente e que está aqui para lhe apoiar sempre!!
    Beijos!

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  10. Mari, fiquei até triste agora em saber que vc estava deprimida. Não sei se fiquei longe do seu blog e não percebi esta tristeza, mas lembro de ter estranhado que não colocava mais vídeos, que gosto tanto de assistir. Enfim, para a gente ver que, mesmo a gente tendo muita coisa legal (na vida e para mim sua vida é muito legal), a gente está sujeito a se deprimir...

    Eu sei muito bem o que é isso, apesar de que minha doença não é somente depressão, e até que eu fosse diagnosticada corretamente, sofri muito, mas muito mesmo. Ano passado, em novembro, fui ver meu psiquiatra, completando 10 anos de tratamento com ele, e saí de lá muito emocionada, vendo o quanto eu tinha crescido e conquistado depois que comecei o tratamento e a terapia. Foi uma sensação de orgulho, misturada com tristeza e alívio, que sintetizaram estes 10 anos. E para isso, tive a sorte de ter os pais que tenho, o marido que tenho, o psiquiatra que tenho (santo Erlei!), e as minhas psicólogas queridas... sem eles, eu não sei onde estaria. Hoje tenho o emprego que sempre quis na vida e uma filha linda de 2 anos, que me fez crescer ainda mais, que me curou mais efetivamente do que qualquer remédio.

    Sinta-se abraçada e compreendida! Grande beijo, e continue a ser este ser humano maravilhoso que é, espalhando amor para todo mundo!

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  11. Oi Mari, já passei por isso, é terrível mesmo. Fico feliz que esteja melhor. Aqui eu conto a minha história: http://www.biancafattibene.com.br/2014/11/meu-testemunho-no-blog-passarela.html

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