20 janeiro 2015

O Mais Caro Sempre Vale a Pena? | Reflexões de Moda

Sou fã de algumas marcas em particular e isso não é segredo para ninguém: Antix, Melissa, Farm, marcas japonesas como Emily Temple Cute e MILK... São lojas e etiquetas onde encontro mais facilmente peças que consigo encaixar ao meu estilo e que apresentam uma duração e qualidade que considero válida. No entanto, cada vez mais ando procurando e encontrando roupas em lojas de departamento como Renner e Forever 21, além de outras tantas lojinhas aleatórias, que se encaixam no meu ideal estético, fogem das minhas marcas costumeiras e que várias vezes são mais gentis ao meu bolso.

Um dos primeiros motivos que me motivaram a sair da zona de conforto de nomes é que, ao menos os brasileiros, se renderam mais às produções em grande demanda e senti que perderam um pouco ou das características únicas que me chamam a atenção - ou, pior, senti uma baixa na qualidade das roupas produzidas: onde antes encontrava uma gama de tecidos naturais, achei um monte de poliéster. Onde havia singularidade no corte ou na estampa, mesmisse. Em contrapartida, comecei a entrar em lojas aleatórias e garimpar suas prateleiras e araras, me surpreendendo com pequenos achados que gritavam meu nome. Também senti que as lojas que sempre foram famosas pela sua produção em massa começaram a caprichar mais em seus alinhamentos e cortes, além de oferecer itens que se casam melhor comigo. É claro que essas grandes redes irão me oferecer roupas que várias terão: mas ai entra em questão que o que faz a roupa é quem a usa, e não ela por si.

A peça por si só é mera indumentária; apenas o pano cobrindo o corpo. Mesmo que seja linda de ver no cabide, ela é roupa, não estilo que se pode usar. O individuo, no entanto, é a fonte do estilo, do fator impar que é capaz de nos instigar inspiração e sentimento criativo. Roupas são o meio, não o produto final: por isso, se alguém não tem estilo próprio, qualquer roupa que vista é mero espelho e jamais quadro. Creio que todos nós, mesmo os que dividimos altos níveis de compatibilidade estética, temos o potencial de criar algo que contenha assinatura: seja através de um acessório, de uma maneira característica de combinar, de cores, de estampas... Você tem assinaturas de comportamento, posso afirmar isso em todos os casos: com o treino delicioso de tentar entender um pouco mais sobre o que você quer representar e o que te representa, é possível também ter belas assinaturas de moda. 


"Porque quando eu faço compras, o mundo fica melhor." Você NÃO quer ser a Becky Bloom: lembre-se que ela no final aprende (além de várias coisas) que estilo não é comprar várias peças, e sim saber usar as que tem. Ela já sabia usar, só precisou aprender a não se encantar com marcas, etiquetas, cartões... 

Logo, se é a pessoa que cria o outfit e o look, e não a peça, não é uma questão de etiqueta ter estilo. Isso para mim sempre foi claro; minhas marcas prediletas apenas me fornecem e forneciam o que conseguia encaixar melhor nas minhas produções. E, mesmo assim, agora que meu leque se abriu para ver que outras fontes estão investindo em roupas que podem merecer um local no meu armário e terem diversas combinações, me sinto feliz em abraçar essas peças "sem marca" ou "genéricas". Isso, claro, se houver qualidade e acabamento.

Pois é aqui que gostaria de chegar talvez no ponto crucial do texto: então, quando é que vale a pena pagar mais? Pela exclusividade? Pelo acabamento? Sim, em ambos os casos - e não no caso da mera etiqueta. A etiqueta não te faz mais bonita, não faz a roupa cair bem, não te faz singular, não te faz especial. Você que faz as roupas serem especiais - e se elas já tem um fator que combine com você, ai sim pode acontecer a mágica. Sim, se um produto é bastante especial e você se apaixonou de verdade nele, além de apresentar especificações de que será resiliente ao uso e ao tempo, pode ser um bom investimento gastar aquela onça à mais. E a peça em questão é uma em que vale a maior qualidade - ou seja, quando é algo extremamente precioso para vários usos e combinações por muito tempo - ai também é esperto fazer esse investimento se não houver uma peça equivalente tão boa e tão apaixonante quanto em uma opção mais barata. Lembre-se sempre que você tem que se identificar com a peça antes de se identificar com a marca. 

A questão que se apresenta como faca de dois gumes é que na contrapartida do fato de que peças menos utilizadas ou mesmo de uso mais volátil (você sabe que usará bem pouco uma saia pink com, sei lá, listras laranjas: mas seu coração está certeiro de que quer aquela uma saia pink e laranjinha) valem a pena serem mais baratinhas, muitas vezes encontramos faixas de preço muito similares de "marcas" e "genéricos" hoje em dia. Nesse momento, gostaria de encorajar todas à pensarem conscientemente no que a peça vale e no quanto será útil - e optar pela opção que apresenta o custo benefício maior de fato. Não a da etiqueta que parece mais exclusiva, e sim lembrar-se que a peça se torna exclusiva a partir da maneira como a coordenará com as que você já possui. 

"Eu não quero ser definido por roupas, marcas ou família." Você quer ser um misto da Becky com seu par romântico, o Luke Brandon: não ser definida pelas marcas de roupa que usa - mas ai você pode colocar seu senso de moda e ter sua visão estética definida na maneira como as usa.

Não compre algo pela marca, esteja ela em qual faixa de preço for: compre qualidade, compre exclusividade quando puder e quiser - e talvez isso venha com um nome conceituado, mas talvez venha com um nome totalmente desconhecido e com uma sacolinha da lojinha do seu bairro. Também é exclusivo aquele meu vestido que garimpei, tanto quanto o raro da marca amada. Mas jamais compre algo apenas levando em consideração o nome da etiqueta. A única marca que sempre tem que ser mostrada é a sua própria, e não a que você quer comprar a loja inteira: você não quer ser um poster ambulante gratuito, e sim um conjunto pessoal do que você considera belo e que te valoriza. Achar seus essenciais e seus especiais independente de onde for, sempre primando pela qualidade e sabendo que a exclusividade de algo só vale quando é singular para você em primeiro lugar - pois você, como bem dizia Dr. Seuss, é o ser mais você que existe. Faça isso valer mais do que suas roupas e saiba o que valoriza esse seu eu tão especial: e ai sim, seu estilo estará criado e pronto para cativar (e mudar um pouco sempre, assim como você mesma mudará)

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Um comentário

  1. Fui uns dias para praia e me desliguei da internet, quando volto tenho essa linda surpresa, mari de volta ao blog <3 amo seus textos

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