28 abril 2014

Encontrando Seu Estilo Próprio: Por Onde Começar?

Uma das perguntas que mais recebo quando o assunto é estilo e roupas é "como saber qual é meu estilo?". E a grande pegadinha dessa inquisição é que, por mais pessoas que respondam sobre seu próprio estilo, a resposta final para você será extremamente subjetiva; mesmo que seu estilo se aproxime do de outras pessoas, jamais (deveria) ser igual. Estilo - na minha leitura - é um amálgama das diversas inspirações estéticas da sua vida. Não apenas as que são obviamente visuais, como estilistas e celebridades, mas também seus gostos musicais, literários, os sentimentos que determinadas ocasiões te causam. Logo, é uma expressão de individualidade que deveria ter como horizonte a identificação dos traços da persona dentro da sua pessoa que você decide dividir com o mundo.

Parece mais do que um papo de "como se vestir bem", não é? Pois, para mim, é. Encaro as roupas como uma maneira de partilhar um pouco de mim com os outros seres que as observam, ao mesmo tempo que tentando me agradar dentro delas e me não descartando sua função prática. Por mais que haja momentos em que desejo agradar o "espectador" do show que é a vestimenta (não só a minha, mas de qualquer um), o objetivo principal envolve eu mesma e, por isso, me mantenho fiel que esse é meu verdadeiro público.

Claro, você pode encarar roupas como meros pedaços de pano cuja função é não expor seus genitais para o planeta e te manter aquecido da temporada de frio. Se esse é o caso, esse post não será realmente útil, por mais que eu possa tentar escolher bons gifs para ilustra-lo. E diria que você está perdendo um bocado de diversão e de auto-descoberta, já que a moda (aqui pensando em moda não como o ciclo vivo de mudanças de cada estação, mas me referindo a indumentária) é uma fonte de criatividade sem fim.

Então, gostaria de convidar a todos que deixem seu conceito pré concebido de "estilo é seguir a tendência" ou que estilos vem em pequenas caixinhas com nomes e rótulos que você pode pegar e comprar junto de uma nova peça. Não é assim que vejo, abordo e me apaixono pelo tema e, hey!, esse blog é escrito do meu ponto de vista. Sendo assim, eis a primeira parte de alguns artigos sobre essa questão maravilhosa, volátil e explosiva que é "ter estilo".









Eu disse que tentaria escolher bons gifs para motivar aqueles que não tem interesse na questão, né? Pois aqui vai um de Vida de Inseto representando meus pensamentos na época em que não me sentia bem nos meus próprios sapatos: literalmente. "Um dia eu serei uma linda borboleta".


Como mencionei no primeiro parágrafo, a idéia de estilo tem tudo a ver com inspiração. O que te inspira? O que você ama? O que você gosta? Fazer uma lista dos seus hobbies, paixões e etc pode vir a calhar muito bem nesse momento. Listar tudo isso pode parecer algo tão grande, enlouquecedor, que você olhará tudo aquilo e se perguntará como diabos dá para tirar qualquer coisa daquele bando de prazeres. Mas dá: sempre dá. E, sem suas paixões, você não seria a pessoa que é: e parte do meu objetivo aqui é tentar te guiar um pouco no caminho sobre como conseguir representar essa criatura linda.

Acho que celebridades/atores/cantores/personagens de tevê e de filmes são um bom ponto inicial da sua lista - e, como pessoa um tanto Tipo A que sou, acho que ter um ponto inicial pode ser um bom gatilho a puxar para que você comece a se perceber. Pense nos filmes e etc que viu e que adorou a maneira como determinado personagem se veste. Se pergunte: me sentiria confortável com essas roupas? Ou apenas as admiro? Porque há uma grande diferença entre se identificar com algo e apenas admira-lo. Seria - para fazer uma comparação bem solta, mas válida - como a diferença entre achar alguém bonito e se atrair por esse indivíduo. Embora seja fácil encontrar beleza em diversas pessoas, nem todas aquelas que consideramos bonitas nos atraem. Você deve ser atrair por peças de roupa, e não apenas acha-las bonitas.

Quando apenas achamos algo bonito, gostamos de olhar para a peça, queremos até tê-la. Mas ai chegamos em casa e vemos que, nas luzes do quarto, ela não faz tanto nossa cabeça. Não é que a roupa deixou de ser bela: apenas não nos apaixonamos. E é importante saber diferenciar esse sentimento também quando for buscar suas fontes de criatividade. Vamos, portanto, para um exemplo: na época em que comecei a me encontrar dentro da moda, era viciada no show Gossip Girl. Achava as roupas da Serena e da Blair maravilhosas mas, por mais que adorasse a aparência que a primeira tinha, jamais me sentiria confortável com aquele ar super mulherão, moderno, paetê por tudo que é canto, descompromissado, com um quê de super modelo. Era com a pose impecável, os detalhes cheios de laços, frufrus e tiaras da Blair que me identificava. 



Temos aqui um dos termos mais importantes para a definição de estilo: identificação. Não apenas a atração inicial ao apelo estético, mas a noção de que aquilo te faria sentir "em casa". Agora, vamos passar para outros itens na lista: quais celebridades você pensa "gostaria de ter o guarda roupa dela"? Quais quadros ou fotografias você pensa "gostaria de usar isso/essas cores/etc?" "Queria que o mundo fosse sempre assim?". Quais músicas você ouve? Que fotos de revista chamam sua atenção? Que imagem é aquela que apareceu no seu tumblr e que te cativou? Tudo, tudo isso, forma um apanhado de inspirações que podem ser traduzidas para o visual.

Depois de listar desde sua banda predileta até o vestido que sua celebridade xodó usou no último evento, é hora de separar o joio do trigo: o momento de se identificar esteticamente. Essa parte é um pouco mais complicada, porque pode abranger todas as "varições dentro do seu próprio estilo", mas é essencial para termos uma base. É vital realizar essa aproximação do que é etéreo em sua construção (como as diversas inspirações, que nem sempre tem muito nexo, mas costumam ter ao menos algum ponto facilitador para nossa busca) com a praticidade - sem pragmatismo - que é necessária para buscar seu conceito pessoal sobre como gosta de se representar. 

Uma das maneiras mais práticas e objetivas que encontro de visualizar o que estou falando é imprimir ou recortar fotos do que estou me inspirando e coloca-las em uma cartolina branca. Pode ser um mural de cortiça, se tiver espaço e quiser que seja permanente, tanto faz. Outras opções envolvem foto colagens na internet ou quem sabe uma pasta no computador onde você guardou todas essas informações. O que fiz, lá uns sete anos atrás, foi começar a notar os denominadores comuns do que estava gostando.

Embora eu me use como exemplo nesses casos, é só para tentar facilitar o processo de pensamento. Lembre-se de adaptar para vocês mesmos!

As cores dos quadros de Monet. A delicadeza das pinceladas de Renoir. Um toque da loucura e da saturação de cores de Van Gogh. As cinturas marcadas dos anos 50 e dos vestidos de Marie Antonieta. Vestidos, vestidos, saias e mais saias: os da Zooey Deschanel, da Blair Waldorf, das personagens de animês como Sakura (Sakura Card Captors) e Chii (Chobits). O lado lúdico e divertido que via nas fotos do livro icônico de moda japonesa Fruits. Os olhos com delineador e os batons fortes das pin ups de Alberto Vargas e Pearl Frush. Comecei a linkar diversos pontos em comum entre os itens da minha lista, e isso acabou eliminando alguns outros que acabaram se revelando sem atração com os demais - embora possam ser usados em outros momentos, não são minha base principal de visão. Ou podem ser acrescentados em pequenos detalhes.











Precisava de uma imagem aqui, e a Kyary Pamyu Pamyu (cantora japonesa) pode não me inspirar muito esteticamente, mas sua frase é maravilhosa: "Eu acredito que qualquer um pode aproveitar a moda, se eles tiverem confiança no que estão vestindo"

Música foi meu calcanhar de aquiles aqui, pois foi através do meu amor por metal (descoberto há dez anos atrás, quando eu tinha 13/14) que me senti  mais pressionada a me vestir de certa maneira. Passei a adolescência inteira pensando que deveria usar muito preto, olhos com muito lápis, para poder ser "levada a sério" como alguém que gosta da música - e foi preciso uma dose de auto-confiança e maturidade para perceber que não preciso ser igual aos demais fãs para ser uma fã de verdade. Preciso, sim, ser forte para quebrar a caixinha comprada de "você gosta disso? eis seu estilo" que é tão comum. Ouvindo as letras de bandas muito queridas para mim, como Blind Guardian, Avantasia, Sonata Arctica e Nightwish, percebi que consigo traduzir as emoções que sinto nas músicas através de pequenos detalhes da vestimenta. Uma roupa com rendas me aproxima dos elfos de sons como Nightfall in Middle Earth, enquanto que meu amor por boinas me faz sentir próxima de um trem coberto de neve em Shy. 

Não é fácil fazer essas conexões, pois te forçam a sair da idéia da cópia exata e ir para uma leitura pessoal. E essa leitura pode levar muito tempo para ser feita: de modo algum eu tive uma epifania de que meu estilo seria assim e pronto! Estilo é algo em constante evolução e transformação, assim como nós mesmos. Mas o que se obtém, após toda essa tempestade cerebral de idéias, inspirações e sinapses, é um "cheiro", um "rastro" no qual se guiar. Voltando para meu exemplo pessoal: sabia, através das minhas bases então encontradas, que queria investir em vestidos e saias. Em algo rodado, romântico. Em cores femininas. Que cintura alta era uma constância e que eu tinha um quê de paixão por tecidos e estampas naturais, mas que amava um ar de contos de fada. 

Embora com o tempo tenha acrescentado mais alguns itens, retirado um pouco a força de outros, foi por ai que comecei a andar na estrada da busca por encontrar meu próprio estilo. Não é uma tarefa fácil e que pode ser feita em um dia só (e nem uma tarefa com um "fim" derradeiro). Esse texto é realmente uma introdução à idéia do que começa a formar sua concepção de estilo - podem entender quase que a lição de casa seria pensar no que te inspira! - e nessa próxima semana irei escrever mais sobre os pontos impossíveis de contar em um só texto: como seu biotipo pode ser valorizado do que te inspira? Como seu estilo de vida influi na hora de adaptar suas inspirações? Como pensar nas peças básicas do seu armário, seguindo esse "rastro" que você começa a criar? Como adaptar seus estilo já encontrado para diversas situações? Como experimentar com outras inspirações sem perder sua marca pessoal?

São muitos "como", eu sei. E nenhum deles tem uma resposta pronta, nenhum deles é uma solução pré-fabricada. E isso é o que é mais legal sobre a questão e é justamente o que falei lá no começo do artigo: só você poderá encontrar suas respostas, porque o objetivo final é que seu estilo represente você. O melhor de você, sua parte predileta, a parte que você quer mostrar para o mundo. Independente de adaptações e experimentações, ainda deve ter a sua cara. Não a minha, não a da Zooey Deschanel ou quem for. E se através dessa coleção de pensamentos eu puder te ajudar um pouquinho a se sentir mais confortável consigo mesma e com suas roupas... Isso será a melhor recompensa. :) 



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15 comentários

  1. <3 <3 <3 muitooooo bom! Sua sementinha foi plantada. Ansiosa pelos próximos posts :)

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  2. Adorei o post! Sempre gostei de me vestir de um jeito diferente e me sinto livre para fazer isso em casa, mas é super difícil quando eu preciso tomar coragem para sair vestindo as roupas que eu gosto, na última hora eu desisto e acabo trocando de roupa! ):

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  3. Mari, eu adoro seus posts. Mas e quem não sabe do que gosta? Porque eu sinto que em todas as áreas da minha vida eu só vejo coisas das quais eu sinto que deveria gostar. É assim com a minha faculdade, com música, com livros, com filmes, com roupas... sinto que vou surtar kkkk eu não me sinto confortável com nada, só sinto culpa por não me sentir bem kkkk sei que vcê não é psicóloga e tem mais o que fazer da vida do que ficar ouvindo mimimi, mas você poderia por favor me dar um conselho? kkkk

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  4. Simplesmente genial esse post, Mari!
    Acho muito importante alguém que tenha influência sobre as meninas mais jovens se preocupar em falar sobre a moda de maneira profunda, como deve ser. Sou formada na área e também tenho um blog, por isso mesmo percebo que as pessoas andam cada vez mais padronizadas e têm tido cada vez mais medo de serem elas mesmas, sofrendo pra se inserir num grupo de pessoas iguais.
    Ainda bem que existem algumas pessoas como você, pra dar uma sacudida nessa mesmice!
    Um beijo!
    ;***

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  5. Lindaaaaaaaaaaa. ✿✿✿

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  6. Adorei o texto e já aguardo ansiosa pelos próximos.
    Ai, se eu tivesse lido uma coisa assim quando tinha 16/17 anos...
    Hoje em dia, eu penso muito mais antes de comprar uma roupas, e não uso mais nada que me faça desconfortável, mesmo que isso, de certa maneira, assuste ou choque as pessoas. É engraçado como qualquer coisa que fuja da caixinha já cause um pouco de desconforto//indignação em certos grupos, mas acabei me acostumando, e hoje só me visto da maneira que me faz confortável.
    É bacana também poder incorporar as inspirações estéticas que me fazem suspirar, e isso aprendi com você: colocar um pouquinho do perfume do que me atrai nos visuais do cotidiano, deixando a roupa não ser somente um monte de pano em cima do corpo, mas uma parte do que vai me fazer feliz/confortar ao longo do dia.
    Acho que falei demais...rs
    Mas adorei mesmo a iniciativa e espero pelos próximos textos para sempre aprender algo novo.

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  7. Um dos melhores posts, na minha opinião, que tu já fez! Já considerou a ideia de lançar um livro sobre? Genial!
    <3

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  8. Ameeeei o texto ♥ Mari, te adoro! Visita meu blog por favor?? Vou ficar super feliz *-*
    Ao Estilo de Mary

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  9. Ahh eu não sei... tenho vontade de usar roupas rebeldes e depois de usar acessórios fofos... não consigo entender porque estou babando pelos acessórios da loja pokkuru sendo que eu não sou romântica... mas qualquer estilo que eu siga não consigo ver como eu, uma garota que pesa mais de 90kg, possa ser apresentável... ser gordo é difícil até nisso rsrsrsrs

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  10. Muito bom o texto Mari! Eu já encontrei meu estilo há algum tempo atras, por mais que por vezes eu fuja dele ou por não saber o que usar (leia-se preguiça) eu use algo demasiado básico. Meu estilo se parece com o seu, a preferência por coisas mais românticas e menininhas, por assim dizer. É como me sinto bem, por mais que por vezes alguém olhe é diga que minhas roupas não são legais (na maioria das vezes minha irmã, que faz o estilo mulherão). Admiro muito a sua liberdade com relação a "moda" Lolita, acho lindo, e algumas vezes ate vejo peças que se encaixaria em meu guarda-roupas. Seria legal, se você se sentir confortável, em falar alguns sites que costuma comprar as roupas do Japão.

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  11. Gostaria também de pedir/propor um post sobre como usar tenis saindo do básico jeans e camiseta, não consigo encaixar no meu modo de vestir por mais que tente, meio que travo e gostaria de usar mais. Um xerox!

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  12. Mariii muuuuito bom o post. Fazendo a lista, pegando fotos das pessoas que me inspiram, tirando um pouco llá um pouco cá, ajudou muuuito. Brigada =D

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  13. Melhor texto que eu achei sobre o assunto <3

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