24 agosto 2013

Queda Livre

É gostoso se deixar acreditar naquela história de que, na hora certa, você saberá qual decisão tomar. Que uma campainha tocará no fundo do seu cérebro e você verá exatamente qual caminho da bifurcação é o correto, o mais feliz, o decente, o ético, o verdadeiro. De fato, algumas poucas vezes na vida eu tive a epifania do que fazer exatamente quando era necessário; no entanto, a maior parte do tempo a sensação é de esperar que a decisão seja feita pelas circunstâncias mais do que pelo pulo arriscado que é escolher. O maior medo de todos, talvez, seja que o que você quer não seja o que você precisa e que a escolha tenha sido tão, mas tão, errada.

Tomar uma escolha e não olhar para trás é a mesma coisa que mergulhar e confiar que não haverão pedras te esperando no mar tumultuado. Você nunca sabe: apenas torce, pressente e espera que o mergulho dê certo. As vezes você se afoga por alguns segundos antes de emergir e pensar "eu iria novamente". Mas sempre há o terror da idéia de que você pode não conseguir subir mais: a escolha não deu certo, você estava errado e não há mais volta.

Nos últimos meses, estive ensaiando a mesma queda livre diversas vezes. Por orgulho nunca me deixando saltar, e por medo nunca querendo saber o que me esperava lá embaixo. E, então, acontece a aparição que te faz acreditar que talvez a grande questão não seja exatamente o que te espera, mas o que te acompanha.

Muitas vezes eu desejei que houvesse alguém pronto para me segurar no final de cada salto. Uma rede de segurança bem firme, logo abaixo, pronta para aguentar a pressão do vento comigo. Porém, há cada dia, eu percebo que não é sobre o choque final, e sim sobre o momento anterior: quem está com você. Quem segurou sua mão. Quem passou em cima dos próprios medos, inseguranças, traumas, lembranças boas e ruins, para poder pular com você.

Se há alguém segurando sua mão, não é necessário destino. O maior impacto não é o vento gelado, ou a água revolta, ou o que for: são cinco dedos entre os seus. Firmes, fortes. Sem medo da queda. Sem medo de você.

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9 comentários

  1. Gostei muito e concordo plenamente! Pois a escolha e aprendizado são nossos, porém quem está ao nosso lado podem ajudar para que estes sejam mais fáceis. Parabéns!

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  2. Que texto lindo de viver, essa é a mais pura verdade, ter os cincos dedos entre os seus dá força e qualquer medo desaparece. Ás vezes eu penso que se as pessoas se deixassem entrelaçar os dedos o mundo seria um lugar melhor. Sem frustrações e até quando elas aparecessem ia ter alguém pra vc rir do seu erro no fim do dia ao seu lado.

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  3. Por que eu acho tão difícil, quase impossível, dar esse mergulho? =/

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  4. mari faz tanto tempo que venho acompanhando seu blog seus videos, e sabe nunca pensei em postar nada nem comentar...parabéns pelo seu trabalho,simplesmente inspirador....

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  5. Mari, não faço ideia como, mas você conseguiu criar um texto que veio na hora certa pra mim. Ultimamente tenho passado por várias mudanças na minha vida. Mudanças boas, posso dizer. Só que sou uma pessoa que sempre teve medo de sair da sua zona de conforto, e quando decidia sair, nunca deixava que alguém me ajudasse. Sempre falava: me deixa, eu consigo sozinha. Finalmente vejo que não, não consigo sozinha. Se não fosse pela ajuda da minha mãe, da minha querida madrinha, do apoio da minha irmãzinha e dos meus amigos, eu jamais conseguiria ter feito tudo o que fiz nesses últimos dois meses. Essas pessoas são a corrente que me puxa pra vida. Se não fosse por eles, minha vida continuaria cinza. Não ganharia todos esses delicados tons de cor que hoje tem. E é por isso que eu os amo demais.

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  6. Que texto mais lindo Mari,concordo com vc :D

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