26 agosto 2012

Fonética De Um Nome

Eu sei me auto-sabotar. Sei os argumentos que devo usar para tirar minha mente da situação, e sei ainda mais em que pessoas devo forcar em minha mente para evitar que se foque em outras. Entendo do processo tão bem que já se tornou um reflexo natural, uma expansão de pensamentos para evitar sentimentos. E é olhando fotos, torcendo por mensagens e com o coração começando a ser preenchido de sarcasmo que eu percebo o quanto eu não quero fazer isso.

Sei muito bem que faço isso para me defender e evitar ser machucada de novo. Mas quantas foram as vezes que, anteriormente, eu quis ser machucada? Sinto nervosismo cada vez que um parenteses me diz na guia da internet que há algo de novo para se olhar, e um consequente desanimo ao ver que não veio de onde eu queria. Ainda não. Que bom que não? Que ruim que não. Que o-que-devo-sentir-ou-não.

As desculpas tentam ser variadas e idiotas: o tempo que não teria, o desinteresse que deve sentir. E dessa vez param por ai. Porque, por motivos que não consigo decifrar, a ansiedade aumentada, os dedos suados e nervosos... todos me deixaram perplexa. Ele me deixou perplexa. Com o rosto quente enquanto observo com o canto dos olhos alguém que não deveria, com uma esperança estúpida de que eu poderia ser observada em algum momento. Entre sussurros de parte inocente, não havia como parar o calor que se alojou permanentemente nas minhas bochechas.

Prendo meus dedos entre os mesmos, desejando que fossem outras as digitais marcando minhas mãos. Buscando entender porque em poucos encontros fiquei assim: como gostaria de estar, como tenho medo de me sentir. Querendo entender o que se passa dentro de uma cabeça, imaginando se me imaginaram em algum ponto e com medo de estar sendo muito aberta nos sinais, muito chata ao dobrar minha perna em sua direção e com medo de esbarrar um cotovelo indevidamente.

Enquanto espero por um sinal de fogo, lamento e contemplo o fato que já decorei fisionomias complicadas e cores óbvias. Uma mancha do lado direito, tentando-me a imaginar o que não sou corajosa o suficiente para buscar. Nem para entender. Mas querendo ansiosamente não afastar para debaixo de cinismos, sarcasmos e ironias. Talvez até almejar.

O relógio marca em seus números um horário feliz do dia anterior. Sorrio, me policio, imagino, quero, temo. Conjugando tantos verbos que só paro na hora de deixar o nome rolar pela boca, abrir os lábios, estalar na língua e terminar em um sopro suave de ar quente. Pequeno, mas tão cheio de calor quanto senti em minhas bochechas, minhas mãos, meus dedos - e tão vazio, assim que escapa de dentro de mim, quanto o vão entre esses últimos.

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18 comentários

  1. Mari, eu amo seus textos. É incrível a sua habilidade de conseguir colocar em palavras os sentimentos que eu não consigo expressar. Adoro vc, por mais que vc demore a escrever no blog eu sempre leio e releio os textos com o maior prazer! :)

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  2. Sério Mari, me identifico muito com vc! Amoo assistir seus vídeos e ler esses posts então?!..
    Amaria demais ler um livro seu haha'
    Beiijos!

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  3. Belo texto, queria um dia eu ter essa capacidade de me expressar!

    bjos =*

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  4. mta coragem sua expor isso, mari – considerando que seja algo pelo qual vc realmente esta passando, me corrija urgente se eu estiver errada!!
    bom, eu acho que este texto esta aqui para todos, mas ele parece meio direcionado para alguém e isso mexe comigo pq eu mesma já cansei de escrever para pessoas que não sabiam interpretar uma frase (pq vc escreve mto bem, tem vezes que até eu que leio bastante tenho que ler devagarzinho) e acabavam apavoradas com a paixão das palavras e saindo literalmente CORRENDO. Acho que te disse esses dias em outro comentário q há mto não escrevo mais. bem, esse é um dos motivos.

    a sensação é meio ‘poxa, não importa quem seja, não merecia palavras tão lindas. eu talvez mereça, não posso saber!

    desejo q logo isso passe, mesmo sabendo que os melhores textos saem quando a gente esta nesse tipo de situação.
    isso tudo é um saco, mas é a vida, tudo faz a gente crescer. =)
    bjss

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  5. Mari, texto realmente lindo, palavras melódicas que nos fazer sentir o que sentes, e te digo: é realmente lindo! Como já disse pelo FB: permita-se!

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  6. nossa adorei o texto, vc é mto inteligente!!!!!!
    beijos e passa no meu blog please!!!!!!!!!!!!!

    http://www.nerdicesdeluxo.blogspot.com

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  7. Que lindo seu texto! Se apaixonar é a fase mais encantadora e prazerosa que podemos ter! :) De sentir aquele frio na barriga, aquele arrepio, aquela troca de olhares, a esperança, tudo! :)

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  8. Mari, que lindo! Maravilhoso, bem escrito... Tudo perfeito -* Eu me identifiquei tão perfeitamente...
    Parabéns

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  9. Mari, eu te adoro, e adoro seus textos...

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  10. Mari, assisto e adoro os seus videos. O comentário que vou postar aqui não tem a ver com seu post, porém, foi uma maneira que encontrei de tentar uma resposta sua. Assistindo seus videos vc reavivou em mim uma questão que tinha esquecido há muito tempo (achei que o mundo já estava mais avançado nessa questão)sobre os testes com animais (QUE pra minha surpresa ainda são amplamente utilizados). Graças as suas informações fui pesquisar a lista cruelty free do peta que vc citou e encontrei algumas incongruencias como vc utiliza mac mas esta marca está claramente na lista dos que testam em animais assim como a L'oocitane (que já vi vc citar em algum video) e outras marcas que vc cita não estão em nenhuma das listas como as marcas benefit, clinique, nivea, sigma, etc. Como saber se essas empresas não testam mesmo??

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  11. Muito legal, lindo mesmo o teu texto!!! Parabéns =)
    http://fashion-perfeito.com

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  12. Lindo texto!!!
    Lindo mesmo...

    Beijaooo

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  13. Ai meu Deus, Mari! Você me descreveu sem saber.
    "Estou me sabotando" é o que mais penso ultimamente. Medo de sentir e mais medo ainda de não sentir...

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  14. Que texto mais lindo, super profundo, me encontrei nas suas palavras :)

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  15. Mari minha eterna sorvetinha,
    te acompanho com carinho (tanto, tanto carinho) tem 6 anos, muitas vezes em silencio mas sempre contemplando a minha "daminha de honra", sem as vezes direcionar uma palavra.
    Hoje ao vir aqui, li sua crônica e não consegui guardar só para mim.
    Chorei um pouquinho mas não foi por tristeza, foi por me dar conta da pessoa linda que você tem se tornado nesses 6 anos (sim, eu choro por felicidade).
    A menina tão tímida e meiga que me apoiou num dos piores momentos que eu já tive (a ponto de abrir o meu coração em uma comunidade de orkut) se tornou essa pessoa tão forte e sensível.
    Espero de coração que você tenha consciência da pessoa que você é e que tendo consciência, mesmo ao se deparar com medos,se de a chance de confiar. Não apenas em outra pessoa mas confiar na pessoa forte e incrível que você é.
    Não se esqueça que depois do salto, além da queda existe sempre a possibilidade de voar.
    Um dia você me aconselhou a arriscar e eu tenho flutuado por 5 incríveis anos (daqui a um tempinho vamos ter que escolher seu vestido!haha), quem sabe não seja a hora de você flutuar também?:)

    Beijo carinhoso
    Aninha Earfalas

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  16. Tudo passa, amor. Certamente em um futuro não muito distante esse amor será de outro. Seu coração e sua alma estarão direcionados a outro alguém. E sinto que dessa vez dará certo.

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  17. Amo seus textos. Hoje vim reler pois sabia que tinha algo escrito aqui com um momento que passei hoje. Até entro na historia! Eu ainda espero, quero e aguardo se um dia você escrever um livro poder ler =)

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