24 abril 2012

Malditas borboletas


As vezes as convergências são coisas positivas, na vida e nas aulas de física. Noutras, é o acidente, a colisão dos objetos em velocidade muito mais alta do que se pode aguentar. Ou talvez só um objeto, indo de supetão contra o outro, tão mais sólido. O resultado é uma parede em um canto e algo correndo despreparado para outro.

Poderia ter sido simplesmente perfeito, mas com convergências. Talvez eu pudesse ficar feliz simplesmente – seria tão fácil! - mas a verdade é que há essa voz medonha do meu pior inimigo na minha mente. Nunca o suficiente, perda de jeito, perda de trejeito, perda de jogo, perda de ação, perda de tempo. Para quem acredita que não se pode deixar que o medo de perder te faça não jogar, eu estou me comportando demais como uma medrosa.

Pode ser o ápice de todas as canções que tentam avistar o horizonte, ou de horas escrevendo em cadernos com páginas arrancadas, ou quem sabe da pura e simples negação do que não controlo. Tal qual eu tive que superar o medo de me jogar no ar, ou me manter firme no eixo, eu deveria me jogar no ar muito mais volátil da noite? Quero, mas existem buracos muito cruéis de se cair, e que eu gostaria de evitar. Mas, evitando-os, eu posso também evitar algo bom.

Parece a convergência de tantos textos já postados aqui. E depois da dor nas bochechas, me entrego à repetição do exercício na barra, amado e que ao mesmo tempo é detestado em seu aspecto fixo. É a segurança, é o plano B, é a certeza de que há algo firme e estável do seu lado. É no centro em que me solto, realizo, tenho menos medo. E é onde posso cair com a cara no chão.

Não serei utópica de acreditar que estar no centro depende de mais alguém além de mim. Mas me pergunto se posso ser boba de acreditar que existem convergências que te façam ir para ele e se movimentar com toda a vontade, sem medo.

Convergindo em meus pensamentos, estão as impressões de que estou sendo incrivelmente estúpida e incrivelmente idealista ao mesmo tempo. Talvez – e peço perdão pelo grande número de “talvez” que apresentei hoje – eu seja apenas uma tola de primeira categoria. 

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11 comentários

  1. Vc eh sim uma grande linda! Tenho certeza que tomará as decisôes certas!

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  2. Adorei Mari!!! Me ajudou com o que estava pensando justamente agora... Beijão

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  3. Ordenando a mente! ^^
    Sei como é isso...o medo, a inseguranças e todos os talvez. É o 'achismo' que corroe!
    Vc não é única a sentir tudo isso, mas provavelmente são poucos que expressam tão bem quanto vc Mari...amei o texto, alias, todos seus textos!!

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  4. Mari você escreve muito bem, adorei ler isso e confesso que não li os anteriores por preguiça e sim tenho muita vergonha de confessar, mas estou indo ler agora mesmo! Adorei de verdade! :D

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  5. MAs porque pedir desculpas pelo talvez?
    Se foram as grandes perguntas que movimentaram o mundo, se foi o primeiro talvez que fez a vontade de engatinhar e andar?
    Não peça desculpas pelo talvez, peça desculpa quando a monotonia te pegar (e não a rotina, ela lhe faz bem) Peça desculpas quando uma singela pergunta de cutucar e vc a ignorar, são essas voltas e reflexoes que nos colocam nos trilhos novamente e nos mostram como prosseguir a viagem!

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  6. Mari você é nova ainda imagine quantas meninas de sua idade gostariam de passar por essas emoções e por algum motivo não teve chance ... nunca é tarde vá atrás dos objetivos e não se envergonhe dos seus gestos e do que pensa são poucas as meninas de sua idade que tem essa maturidade não tem medo isso é viver!!!

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  7. Só sei que não devemos perder nenhuma oportunidade, seguir sempre nossa vontade, nunca se guiar pela cabeça dos outros e tentar e experimentar até que a vida mostre o caminho certo.

    Mari, amei seus videos de resenha, vc faz parcerias?
    Conhece minha lojinha e me escreve!
    http://www.flickr.com/photos/objetos_especiais/
    objetos_especiais@hotmail.com

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  8. Mari, você é muito linda e fofa!! =)

    Gostaria muito de falar com você.. tenho uma loja virtual de encomendas internacionais e gostaria de fazer parceria com vc!!Por favor vc poderia entrar em contato comigo? Pois tentei enviar e-mail mas nao obtive resposta..

    bellrocha17@hotmail.com

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  9. Você não é única, todas nós sentimos pelo menos um pouco disso em alguma fase da vida!
    Você escreve muito bem, adorei de verdade :)
    seguindo!
    fashionforanyone.blogspot.com

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  10. Não é fácil o ballet, menos ainda qdo se inicia mais "tarde" ... Não é apenas pela dificuldade, mas exige muito equilibrio para lidar com tantas frustrações. Há com certeza diversos motivos que faz o ballet lindo, e deve ser por eles que o procurou.
    Nunca dancei nenhum tipo de dança, mas a beleza que vejo nesta dança é justamente o fato de não haver talentos, e sim muito suor, muito treino, muita coragem... e quem sabe a perfeição não seja atingida na 103ª pirueta?
    Um grande beijo

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  11. Ai Mari, seu texto era tudo que eu precisava ler nesse fim de noite de domingo! Me inspirou! Obrigada por tê-lo escrito! Nunca deixe de escrever!

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