21 fevereiro 2012

Devaneios

Na minha mente, as coisas funcionariam bem diferente do que de fato funcionaram. Funcionam. Tempo gramatical da sua preferência, contanto que implique que, no final, não funcionou nada como eu imaginei em nenhum tempo (verbal ou não).

Por que nós, como seres humanos do sexo feminino, temos esse incrível e perigoso hábito de analisar demais a situação e, por consequência, criar um desenrolar nada condizente com a situação da realidade? Será que precisamos tão grandiosamente de uma fuga? Creio que é inevitável criar pequenos filmes dentro da minha cabeça, imaginando situações, o que eu diria, o que eles diriam, o que nós diríamos. Devo admitir aqui que normalmente eu estou vestida de maneira fabulosa na minha mente e que meu cabelo se comporta exatamente como eu gostaria.

E, por vezes, eu de fato tive meu cabelo perfeitamente arrumado, com a franja não saindo do lugar. O vestido marcou minha cintura do modo ideal, o salto não me machucou. Nenhum sinal exterior de qualquer nervosismo, mágoa ou confusão. Meus quase 22 anos me premiando com uma habilidade de expressão que eu não possuía aos 17. No entanto, depois do choque, não posso deixar de pensar que talvez a calma fosse do mesmo tipo que eu induzo sempre que preciso apresentar trabalhos ao vivo ou quando vou nos brinquedos de queda-livre em parques de diversão: controlada, matura... E não completamente realística.

Dentro do meu devaneio, eu uso as perfeitas ankle boots, dou tiradas sarcásticas, meu vestido faz outros virarem a cabeça enquanto ando na rua. Tenho um café do Starbucks na mão, o vento soprando o meu cabelo daquele modo que só acontece em filmes (você sabe o que eu quero dizer: nada de fios grudados no gloss). E consigo superar tudo que aconteceu nos últimos, não sei, algo em torno de 3000 dias. Deixaria tudo para trás, sem qualquer medo do futuro, nem carências do presente, nem vontade de dar um houseround kick em alguém.

Ao menos o meu cabelo estava fantástico. E, tenho certeza dentro do meu coração romântico, que o futuro me aguarda com a maravilhosa incógnita do que virá de completamente novo. O tipo de novo que torna o passado uma parte de quem você foi, e que te transforma na versão evoluída de si mesma. E, quando eu encontrar, nem me importarei se meu cabelo grudar no gloss enquanto ando na rua. Porque a pessoa estará por lá para rir comigo da situação.

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27 comentários

  1. Adorei o post.
    Me emocionou.
    Consegui me ver em sua palavras.

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  2. Lindíssimo! O que pretende ser quando crescer, que vertente do jornalismo irá seguir?

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  3. PERFEITO!! Até chorei...Precisava ler isso hoje!

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  4. Você escreve muitíssimo bem, o texto está incrível! De uma sensibilidade realmente tocante...
    De todas, destaco essa frase: "O tipo de novo que torna o passado uma parte de quem você foi, e que te transforma na versão evoluída de si mesma.", que faz um sentido excepcional para mim atualmente :)

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  5. Oi, Mari, nunca comentei nos seus vídeos ou aqui no blog, mas já te acompanho faz bastante tempo mesmo, e sério, de todas as gurus de maquiagem ou qualquer coisa, dificilmente me identifiquei tanto com alguma como com você, adoro suas recomendações, seus gostos, tenho meu lado nerd, gosto de metal, animes, animais, sério, sempre que via seus vídeos ficava "ai meu deus, ela também gosta, que menina legal."
    Isso de blog, já tive ínfinitas tentativas, aonde me expressava, desde com um texto como esse - que pode se encaixar na vida de tantas pessoas - ou alguma crônica, resenha etc, só que nunca tive a coragem de expor nada assim para ninguém.
    Então, resumindo, parabéns por ter toda essa coragem de se expor, escrever abertamente e fazer um ótimo trabalho.
    Estou sinceramente na torcida, que você tenha uma vida ótima, consiga superar qualquer desafios, sejam amorosos ou profissionais, mesmo não a conhecendo e eu sendo uma completa estranha pra você, porque é isso que você passa, pelo menos pra mim, essa vontade de te desejar coisas boas, essa simpatia e espero conseguir algo assim também um dia (a coragem). Até mais. :)

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  6. Oi Mari
    Esse texto me explicou o porquê que eu gosto tanto dos seus videos e blog. Eu simplesmente me identifiquei com esse texto, totalmente.
    Não sei as outras meninas mas, quando eu assisto um video, ou leio algo tão lindo assim, eu me sinto como se fosse uma amiga próxima sua.

    Beijos e continue sempre assim!!

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  7. Sabe, acho que as vezes a gente preisa ser um tanto quanto "desligado do mundo real" para viver, principalmente nesse caso da aparência que não conseguimos dar atenção a ela 24 horas. Na hora que saímos do espelho o cabelo e a maquiagem estava uma maravilha, o sapato estava confortável e tudo lindo no lugar, mas quando voltamos do passeio e nós olhamos no espelho e vemos a dor dos calos nos pés logo notamos a decepção :/

    Alías, ter devaneios é uma coisa legal, faz você se sentir feliz mesmo que a situação em que você esteja não seja um mar de rosas de perfeição. Ajuda a criar um ponto de auto contentamento consigo mesmo. ;D

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  8. Eu sou cheia de devanear em diversos momentos, também... imaginar tudo do jeito que eu quero e me frustrar na hora. Mas fique tranquila, porque aposto que seu futuro vai ser maravilhoso... você é muito corajosa.

    beijos

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  9. Seu texto é lindo e tocante, como um espelho que me faz ver dentro de mim mesma.
    Como muitas já disseram aqui, você é muito corajosa, e eu te admiro profundamente por sua pureza e sensibilidade.
    E tenho certeza de que a vida vai te brincar com novas e maravilhosas experiências e companhias.
    Um grande beijo!

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  10. Adorei, super exposição de algo tão intimo e tão simples nós mulheres somos todas assim cheias de sentimentos e sensações... bjs

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  11. Por mais pé no chão que uma garota seja nós sempre acabamos tendo expectativas muito altas, às vezes pelos filmes com heroínas glamurosas e impecáveis, às vezes pelos seriados de mulheres poderosas que podem ter tudo. Mas sabe, eu sou mais acreditar naquelas histórias que, mesmo que não seja tudo perfeito, pessoas boas eventualmente encontram a felicidade, porque é o que elas merecem afterall :)

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  12. Vida de garota é realmente difícil -.-, mas espero que tudo melhore pra você daqui pra frente ^^

    Tem um selinho pra você lá no meu blog.

    Beijos.

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  13. Mari
    Passo muito tempo pensando no que aconteceu e no que ainda irá acontecer e como irá acontecer.
    Tenho tantas coisas na cabeça, tantas histórias criadas, tantas outras modificadas que não se saberia dizer, caso alguém me perguntasse.
    fico várias horas na frente da TV, mas não faço ideia de que programa estava passando, tudo por conta da imaginação que nunca para.
    Já me disseram que isso não é bom, viver mais no mundo dos sonhos do que na realidade, mas pra mim isso não faz sentido e não me importo na verdade.
    Estou escrevendo um livro que espero de verdade terminar até o final desse ano, se for publicado te mando um de presente.
    Adoro seus textos e seus pensamentos compartilhados...

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  14. Gosto muito dos seus devaneios... tão femininos, tão seus, tão nossos.
    Obrigada.

    Um grande beijo.
    Ana

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  15. Eu sou nova por aqui, mas devo confessar que fiquei surpresa com seu texto, acrescento o fato que foi uma agradável surpresa. Depois de um dia totalmente confuso e estressante com fatos reais ou estórias criadas por criaturas demônicas que povoam minha mente, que às vezes chego a não saber mais o que é realidade ou não. O que eu gostaria de dizer é que vc captou de maneira muito interessante e delicada mais uma faceta do universo feminino!!! Beijos!!!

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  16. adorei o blog, muito lindo, parabéns.

    ontendency.blogspot.com

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  17. Poxa Mari, nem sei se você lê todos os comentários do blog, mas senti vontade de falar... esse seu texto me lembrou muito um texto que eu escrevi no meu blog:

    Ela também merece um final feliz


    Ela foi erroneamente educada por filmes românticos e finais felizes.E sempre leu Clarisse pensando como Clarisse sentia,comia, dormia e transava.
    Alias, ela pensava muito...era do tipo que criava um mundo paralelo em sua cabeça, onde tudo era mais que era. E um pingo virava chuva, e um sorriso virava amor. E os homens que ela amava, eram sempre melhores, diferentes, sempre lindos, mesmo feios, estranhamente lindos.
    E um cara que trabalhava com livros virava o intelectual sensível e perfeito pros seus sonhos, e aquele cara aparentemente bacana, virava "O" cara bacana. E ela escrevia assim, eles tão interessantes, e ela escrevia tão bem, que eles mesmo acreditavam.
    Mas ela estava sozinha, quase sempre em grupo. E todos os dias, vestia um sorriso como quem vestia um jeans, mesmo sem querer, só para evitar pensar. E todos a pensavam feliz. E ela chorava, e chorava livros,
    e chorava filmes, e chorava amigos....
    E ele achou isso bonito, achou o sorriso bonito, mas também o choro.E achou tudo bonito, até o que ela tentava esconder... Mas ela não era feliz...Ela, para ela, era "A" infeliz.
    Isso até ele resolver ficar mais um tempo depois do almoço, resolver aparecer sem avisar, resolver gostar sem ressalvas do que ela nunca gostou... e ela? Ela se deseducou, se esqueceu, e teve que aprender "Ela", e teve que estudar "Ela", e teve que escrever "Ela" melhor.


    eu epero que você leia e que eu possa te acalentar de uma certa forma...como você e outras "amigas" gurus me acalentam...um beijo

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  18. Confesso que não comento aqui com muita frequencia, se é que eu já o fiz alguma vez. Mas fiquei admirada com esse texto intimista, e mesmo saber exatamente sobre o que se tratava senti como se estivesse lendo um desabafo de alguém próximo, por isso achei válido deixar registrado essa sensação esquisita, mesmo sem te conhecer. Ah! Acho você uma fofinha, super gosto dos seus vídeos :)

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  19. oi mari...
    no seu vídeo do BB Cream
    vc estava com umas "olheiras"
    vc tem isso, é genético é?
    ou é de tanto estudar mesmo?
    horas de sonos maus dormidas??

    adoro seu videos
    bjos

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  20. Mari, eu faço isso demais! Fico imaginando histórias com os fato do dia, o que teria acontecido se eu tivesse dito isso ou aquilo, é raro o dia que eu não fico imaginando essas historinhas pelo menos umas três vezes.
    Na verdade isso me ajuda um pouco quando vou escrever meus livros, já tenho um monte de cenas quase prontas, kkkk.

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  21. Eu me decepcionei com uma ilusão esses últimos dias e a única coisa q eu conseguia pensar era se só eu ficava presa em devaneios de um modo que não conseguia mais perceber oq era e oq não era realidade.

    Ler seu post e os comentários das meninas acima me ajudou muito a ver que não tem jeito, toda menina é igual.
    Nós sentimos e pensamos demais.

    E oq eu fiz para voltar a me sentir melhor foi admitir isso. Pq se eu provavelmente não o fizesse, ficaria sempre a me sabotar dizendo que 'Não, eu não sou assim', quando na verdade devemos é aprender a lidar com isso e não a ignorar.

    Simplesmente evoluir =)
    E não deixar que ninguém nos impeça.

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  22. Muito bonito o texto, Mari! Me passou uma leve tristeza, um lamento, mas com um brilho de esperança. Beijoca.

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  23. Perfeito, perfeito Mari!!Amoooo seus textos!

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  24. Mari, amei o seu texto, e fico feliz em saber que eu não sou a única que tem esses devaneios durante uma hora inesperada do dia. Não falo só de você, mas de todas as meninas que deixaram os comentários aí em cima. Fico muito feliz em saber que eu sou normal nesse aspecto.
    Amo seu blog e o seu canal do youtube.
    Você é uma pessoa muito linda, tento por fora quanto por dentro.
    Continue assim.
    Beijos!

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  25. Muito show o seu texto!
    Acho que todas nós mulheres já nos sentimos assim!
    O importante é olhar para trás e ficar feliz com que se vê!
    Um grande beijo,
    Karla.

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  26. Mari vc escreve muito bem!Parabéns

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