11 outubro 2017

Favoritos do Mês 🌷 Setembro

Mais um mês completo, mais uma uma coleção de produtos cosméticos, roupas e dicas culturais para ouvir, assistir e jogar. Como já é costume nesse universo, fiz um vídeo apresentando meus queridinhos.

Vídeo: 


Mencionados:


  • Coletor Menstural - Fleurity
  • Shampoo a Seco Fruity and Cheeky - Batiste
  • Talco da linha Pink - Granado
  • Dream Cream - Lush
  • Unicorn Snot
  • Camiseta 'Grifinória" da Renner 
Dica: tenho um vídeo de como estilizar camisetas estilo T-shirt de vários jeitos diferentes!
  • Vestido Swankiss
  • Starboy (The Weekend + Daft Punk)
  • Nameless: The One Thing You Must Recall
  • O Nevoeiro
  • Baywatch
  • Trilha Sonora de Moana
28 setembro 2017

Aprendendo a Ser Mãe de Gato


Alguns meses são mais intensos que outros e - Deus! - setembro parece que decidiu dançar na velocidade máxima em cima de muitos outros. Mas se tem algo nesses últimos 20 dias que veio na vida para ficar e jamais sair, é um serzinho (quase) peludo chamado Spooky.

A história de como ele apareceu na casa da minha mãe, debilitadíssimo, já contei no instagram. Confesso que naquele primeiro dia meu medo principal era que o bichinho fizesse sua passagem sem ter a chance de conhecer o lado bom da vida. Lembro dos meus dedos entrelaçados aos dos Roberto enquanto a veterinária falava sobre a possibilidade da fratura na mandíbula ser um chute dado por um ser humano, de como a infecção (gigantesca, que formava uma bola semelhante á um tumor do lado direito do pescoço) poderia ter se espalhado para o osso... Sentia meu coração bater na minha palma, e o dele na minha. Mas o nosso novo filho - pois não havia já dúvidas desde aquele instante de que a missão era nossa e não havia vento forte o suficiente para tirar aquele gatinho do nosso cuidado - pedia força, e nós tivemos. 

Os primeiros três dias foram os mais difíceis, com a primeira cirurgia para remover o pus acumulado, a colocação de um tubo ligado ao esófago e muitos exames de sangue. Mas o universo nos deu um guerreiro e lá estava o Spookão reagindo aos antibióticos: meio grogue, ainda mais tomando derivado de ópio! A piada interna virou ele ser muito old school nas drogas, mas isso confere um charme extra ao seu estilo gato-preto-que-ouve-The-Cure-mas-tudo-bem-a-mamãe-ouvir-pop-de-drag-queens.

Passa o tempo, e ele só fica mais forte: a anemia vai se curando e ele vai se preparando para a cirurgia de correção da mandíbula. Come a ração seca para filhotes e ama o Whiskas Sachê, que aqui em casa apelidamos de "blabla". Se meu coração bateu pequeno nas primeiras 24 horas, agora ele bate gigante cada vez que esse senhorzinho ronrona alto me pedindo um colinho e chamego como só ele sabe; como é que tanto amor se desenvolve tão rápido? Como a vida poderia ser diferente? Só quem já amou um animal sabe - esse ser que precisa de ti, que te ama incondionalmente e vai te seguir onde for... literalmente.



Mas ele de fato te segue onde for. Tendo sempre tido cachorros ou calopsitas, ninguém me preparou para ir ter minha ida ao banheiro observada por um par de olhos verdes. Não sei dizer se ele está me julgando... Só que me sinto julgada, então começa um dilema. Veja só, a dicotomia da vida: ele faz cara de dó se não está junto durante o número 1, mas cara de julgamento se está ali comigo enquanto a minha bexiga pede para se preparar para a próxima dose de chá de jasmim. E ai, Spooky? Não dá para facilitar a vida da mamãe? 

E temos o dilema da conchinha: eu e o Robertinho sempre dormíamos juntinhos, mas agora há um terceiro elemento na nossa relação. Um dia ei de ser mãe e acho co-sleeping uma ótima idéia, mas não esperava começar a treinar desde já: as vezes tem um rabinho enrolado ali na minha mão de noite, outras é no meu nariz e espirro. E quando eu fiz carinho no cobertor achando que era ele? Agora o jeito é eu fazer conchinha no Spookinho e o Rob em mim. Não conta para ninguém, mas acho que é minha nova maneira predileta de dormir. 




Tem outras gatices que vão surgindo aos poucos, enquanto ele recupera a força e o vigor. Gosto de vê-lo tentando arranhar as coisas, mas temo pelos sofás e por isso me diverti durante horas escolhendo um tapete arranhador. Sonho com o dia que vou comprar um castelinho de esconderijos para ele. Mal posso esperar pelo momento em que ele dê um pouco de bola para alguma das bolinhas de papel que jogamos pela casa!

Mais do que tudo, fico rezando para que chegue logo o dia em que ele não precise mais ficar trocando o curativo. Enquanto isso não chega e esperamos a cirurgia final, sinto um ronronar no meu colo enquanto passo bandagens, antisséptico e dou carinho no cangote. Ah, Spooky Ooky: agora, meu coração bate junto também do seu coração. 


26 setembro 2017

Lidando com o Luto | De ♥ Para ♥


Dizem que existem cinco estágios do luto: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Não sei falar pelos outros, apenas por mim mesma, mas posso afirmar que dependendo da perda as vezes passei pelos quatro primeiros mais de uma vez no mesmo dia - não, minto. Na mesma hora, do mesmo dia.

Nossa sociedade sabe que o luto chegará para todos e, no entanto, falamos coisas como "temos que aceitar". Digo que devemos ter ferramentas para lidar com ele quando vier, pois aceitar uma imensa quantidade de doer não é simples assim e só quem passou uma vez - ou duas, ou três, ou quatro... - consegue imaginar.

Um dos meus autores prediletos, C. S. Lewis, disse que luto parece com medo e é verdade: temos medo do desconhecido. Não apenas da morte que nosso ente querido enfrentará, mas do que nós enfrentaremos sem essa pessoa.

Seria impossível eu ter as respostas derradeiras de como lidar com esse misto de sentimentos tão tumultuoso e indelicado, mas visto que meu vôzinho materno fez sua passagem para o plano espiritual na semana passada depois de 94 anos e essa foi minha 4ª gigante perda em cinco anos, decidi ligar a câmera e bater um daqueles papos de ♥ para ♥ com vocês. Afinal, quase ninguém fala sobre a pressão de libertar os nossos mortos e libertar a nós mesmos para viver apenas as lembranças. Logo, aqui, vamos falar.

Vídeo:



Observação Importante:


Não existe um tempo certo para lidar com seu luto: isso depende e varia de cada um, da sua idade, do que acredita e da sua rede de apoio e até mesmo sobre como foi a perda. No entanto, há casos de luto em que convém pedir ajuda de um profissional, especialmente se você estiver demonstrando sinais de depressão. Se você demonstrar sinais como: 

  • Se culpar pelo ocorrido;
  • Tiver dificuldade de manter sua rotina semanais depois do falecimento da pessoa querida;
  • Pensamentos de que a vida não vale mais a pena; 
  • Dependência de álcool, cigarro ou drogas para lidar com a dor;
Por favor, procure ajuda profissional. Pelo SUS, você pode se encaminhar para um CAPS (Centro de Atenção Pscicosocial) na sua cidade. 

06 setembro 2017

Como: Cuidar das suas Bolsas (Couro, Couro Falso, Glitter e +)

Sempre fui uma grande adepta da filosofia de que "quem mantém, têm". Por isso, muito além de fazer uma compra de forma sábia - escolhendo peças versáteis, que combinem com seu estilo, situações do dia-a-dia, orçamento, etc - é necessário saber como cuidar e manter esses produtos para que eles permaneçam nas melhores condições possíveis. Afinal, ninguém quer ter que dar retoque na foto ou ficar tendo que esconder descascado de bolsa no meio do passeio, né?

Vídeo:


Materiais Necessário:

  • Lencinhos para bebê sem álcool; 
  • Paninho (flanela) macia; 
  • Loção hidratante branca; 
  • Escova de dentes bem macia (ou escova para pentear cabelos de bebê); 



26 agosto 2017

Como: Limpar e Reestilizar seu Armário


Seguindo a linha de vídeos que comecei ao mostrar para vocês como fazer seu mural de inspiração de estilo - onde podemos avaliar ao nosso redor o que já está nos cercando e resignificar essas peças para buscar melhor organizar nossa própria imagem - vem aqui um bem caprichado mostrando tudo sobre como arrumar seu armário; e, de quebrar, fazer um pelo "expurgo" nele!

Vídeo



24 agosto 2017

Cópias Tímidas


Havia uma grande chance de que aquele meticuloso plano acabasse se revelando um bilhete só de ida para alguma lista de procurados de crimes contra o meio ambiente. Afinal de contas, Priscila estava indo na contramão do que sua carteira, ideologia, e até mesmo força de vontade de estudar diziam no que se referia a fazer xerox e até mesmo seus professores notaram que ela era a única que aparecia na sala com todos os capítulos devidamente fotocopiados de absolutamente qualquer coisa que eles sequer mencionassem. Talvez até houvesse uma pequena aposta na sala dos professores sobre se ela tinha ido pegar a reprodução das páginas de receitas de bolo do Jornal da Tarde durante a ditadura (sim, para ambos).

E o que poderia impulsionar uma aluna a resolver ter em mãos todos os textos complementares do semestre? Havia seriados do Netflix para serem maratonados, tablets e internet para poupar as florestas mundiais e aproximadamente sete horas de jogo até ela finalmente platinar Final Fantasy XV. Além do quê, deve-se admitir, suas notas já eram boas sem que suas moedas de R$0,10 fossem destinadas a mais papel e menos Freegels (quem ainda compra freegels? Priscila. Um pequeno vicio desenvolvido na oitava série.). Era justamente esse tipo de pensamento que a fazia roer um pouco mais a já torturada unha na frente do espelho do banheiro, enquanto tentava observar seu reflexo no meio das diversas frases de efeito falando que ela era linda, perfeita e que deveria ligar para Lucas se quisesse seu TCC editado.

Seus cachos castanhos estavam um pouco mais secos do que gostaria, mas ela havia esquecido o óleo na casa da mãe e a necessarie de emergências capilares estava em algum canto do apê do pai. Mas o corte emoldurava seu rosto bem e ela até que havia disfarçado maravilhosamente a aparência de quem havia tentado se concentrar naquelas malditas xerox até á 1h da manhã. E hoje seria o dia D; ela colocou seu vestido da sorte, com bolsos estratégicos na estampa de gatos no espaço, e ela finalmente conversaria com o “carinha da papelaria”.

Sério. Eis o apelido que suas boas duas amigas deram para razão da vida dela ter se tornado um amontado de páginas e taquicardias. Ela preferia dizer que ele era o “Gustavo, aluno de Engenharia que trabalha na papelaria porque faz parte do Diretório Acadêmico e isso é parte suas responsabilidades e, não Fabi, não vou simplesmente pedir o Facebook dele.

Obviamente, ela queria o Facebook dele.

Conversar pela internet seria tão simples. Sem contato visual. Com a possibilidade de prolongar o tempo socialmente aceitável entre respostas para a casa dos minutos, ao invés do nano segundos. Porque cada vez que ela tinha uma maldita conversa com um estranho, era como seu cérebro estivesse com um daqueles malditos temporizadores de jogos de xadrez, marcando a lentidão que levava para suas palavras saírem da boca – uma vez que ela pensava em mil respostas, só que a idéia de as dividir com um desconhecido a apavorava. Especialmente um desconhecido com sardinhas no rosto, camisetas cheias de referências nerds e bom gosto para a playlist de músicas tocada no DA.

Logo, ela iria xerocar cada página disponível até conseguir juntar coragem o suficiente para se apresentar para o seu-crachá-diz-que-seu-nome-é-Gustavo, nem que isso lhe custasse todo o dinheiro do estágio. E, junto com seu vestido da sorte e um hálito de Freegels, ela saiu do banheiro esperando que o espelho estivesse falando a verdade com a bendita frase de “você é linda, diva”.

***
My Eyes Have Seem You do The Doors tocava pelo cubículo nanico da sala da Papelaria, lotadas até o teto de canetas BIC, marca textos neon e cadernos básicos. Não havia muitos matérias disponíveis dentro da própria universidade, mas nada disso importava de fato – ali, atrás do balcão, usando uma camiseta de Everybody Hates Joffrey Baratheon, estava um cara com uma constelação de pintinhas no rosto e um cabelo naquele tom que ninguém sabe dizer se é loiro ou ligeiramente avermelhado. Ele usava-o ligeiramente comprido, caindo um pouco abaixo das orelhas, apenas o suficiente para atrapalhar o que estivesse lendo.

Não que Pri ficasse muito tempo pensando sobre como seus fios de cabelo caiam sobre os olhos castanhos. Isso seria assustador, e ela não era assustadora. Ela era apenas uma garota. Que gostava de olhar para aqueles fios de cabelo e se perguntar se eles cheiravam á que tipo de shampoo – mas que atire a primeira pedra quem já não foi um tolo apaixonado uma vez na vida.

Especialmente quando o dono de dito cujo cabelo loiro-diabolicamente-avermelhado levanta os olhos de seu livro (It, do Stephen King - deu para ver quando ele colocou no balcão) e sorri levemente de lado ao vê-la entrar pela porta.

“Xerox?”

'Pense. Responda. Respira. Nessa ordem.'

“A-ha. Pasta 12. Professora Rita, Jornalismo.”

“Sem problemas. Eu já pego para ti.”

O sorriso dele causa um mini ataque cardíaco. O vestido da sorte de repente parece apertado na área do busto, mas ela sabe que foi seu coração que expandiu. Frio na barriga, dedos do pé se contraindo e as palmas suadas são todos usuais. Por que Jim Morrison parece tornar tudo sensual? Por que Gustavo parece se mover sensual, mesmo sendo apenas um garoto? Por que um garoto, sendo apenas um garoto, se torna “O” garoto quando tem um sorriso de canto de boca, camisetas inteligentes, malditos fios de cabelo que devem com certeza cheirar a shampoo e…

“Aqui. Sabe” – ele se inclina um pouco no balcão. O ritmo cardíaco aumenta junto do baixo do The Doors – “Ou tu tem os piores professores dessa faculdade ou é a melhor aluna deles. Tu vem aqui quase todos os dias.”

Não.

O roteiro era mencionar a camiseta.
               
            Na cabeça, nos sonhos e delírios, era sempre a camiseta. Priscila não preparou uma resposta que possa ser dada em menos de 2 segundos sobre seus dotes ou não como estudante.
                
            Já se passaram 3 segundos e o maldito sorriso de canto de boca continua lá, mas os olhos com sobrancelhas super grossas por cima parecem preocupados.
              
           4 segundos. É hora de falar alguma coisa, ela pensa. Qualquer coisa. A primeira que vier na mente. Seja lá o que for. ‘Esse é o universo te dando uma chance, Priscila! Seu destino te chama! Os gatos espaciais vieram buscar os aliens para você e te premiar com algo! Os aliens, Priscila! Os aliens!’
             
           5 segundos.
                              
                   “Hmmm.”
             
          ‘Parabéns, cérebro. Me lembre de tirar você da lista de órgãos que poderiam ser doados, porque nem em uma realidade onde isso seja possível quero impor esse destino terrível a outra pessoa’
             
           6 segundos e o sorriso se desfez um pouco em Gustavo. Há uma sensação de combustão desagradável dentro de todo o coração de Pri; essa foi a primeira conversa que não se baseou em cumprimentos e direto na pasta para pagamento que tiveram. Só há uma coisa que pode ser feita, mas ela pede toda a força interna que há naquele corpo que parece desejar se esconder em algum canto e não sair mais.
                             
                “Eles não são tão ruins ao ponto de merecer ir para Westeros, nem nada assim.”
              
           Quando Gustavo sorri e começa a perguntar sobre Game of Thrones, o apertado dela sobre sua pasta relaxa e o território se torna um pouco mais conhecido, ao menos por enquanto. Ela fala sobre as mortes mais dolorosas, como colocou pequenos desenhos de “Segure a Porta” com o Hodor no prédio do pai, e ele coloca a mãos e bagunça o cabelo descrevendo a dor cada vez que pensa que o Tyrion não sobreviva. O assunto continua tempo depois que as cópias estão prontas, e ele as grampeia e entrega rindo sobre alguma piada de meme.
                              
                    “Me adiciona no Facebook. É raro achar alguém que conheça a teoria dos livros tão bem assim para conversar”.
            
            Ela aperta as folhas quentinhas junto ao coração, enquanto se pergunta se seria muito cedo para já procurar o nome escrito no post it pelo celular.

***

                               
                       “Finalmente falou com a menina das cópias?” – a cadeira do computador dos fundos gira, com Caio tirando seus fones de ouvido e parando de mexer no Tumblr, com uma cara de quem já estava sem paciência para o colega fazia pelo menos duas semanas.


             Não havia mais lados naquele sorriso de Gustavo, pois lhe tomava o rosto inteiro e fazia com que as sardas fossem figurantes para um sol enquanto ele via a solicitação de amizade aparecer em seu celular. E ao som de ‘Hello, I Love You’, ele aceitou; quem sabe um dia contaria que ela estava pagando metade em todas suas xerox? Bah. Valia a pena se falir um pouco por certas paixões; mesmo as que o faziam quase perder a voz.   
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